- Em Risaralda, nas montanhas cafeeiras, comunidades Embera Chamí e Katío continuam a mutilação genital de meninas, prática que já vitimou centenas de bebés.
- O procedimento envolve navalha ou prego em água a ferver, realizado por parteiras em recintos fechados, segundo relatos na região de Pueblo Rico.
- Entre 2020 e 2025 ocorreram 204 casos, segundo a ONG Equality Now; no entanto, dados oficiais consolidados são inexistentes e há subnotificação.
- Um projeto de lei, apresentado por líderes Embera e parlamentares, pretende proibir a prática, com foco em planos de prevenção e sem penas de prisão para as parteiras.
- O texto, que ainda está a ser discutido no Congresso, precisa de passar pelo Senado before 20 de junho; a prática mantém-se envolta em segredo e é associada a graves danos à saúde das meninas.
A mutilação genital de bebés persiste em algumas comunidades indígenas na Colômbia, nomeadamente entre os Embera Chamí e Katío, nas montanhas cafeeiras de Risaralda. A prática, pouco estudada, tem provocado mortes por hemorragia e infecções, além de danos duradouros à saúde das meninas.
A verdade sobre o fenómeno chegou a Alejandrina Guasorna apenas na idade adulta. Nascida com a lesão, só depois ficou a saber que o ato foi feito ao nascer. Em Pueblo Rico, comunidade sob jurisdição indígena, mulheres do território contam que parteiras usavam navalha ou objeto em água a ferver para realizar a mutilação.
Para erradicar a prática, líderes Embera e parlamentares apresentaram um projeto de lei que está em discussão no Congresso há meses. O objetivo é proibir a mutilação, mas sem penas de prisão para as parteiras, reconhecidas como vítimas de falta de informação. A iniciativa prevê planos de prevenção.
A lei está dependente do último debate no Senado antes de 20 de junho, fim do período legislativo. A medida não enfrenta oposição explícita, mas enfrenta o desafio de alcançar comunidades remotas onde o costume persiste.
Entre 2020 e 2025 ocorreram 204 mutilações na Colômbia, segundo a ONG Equality Now. Dados oficiais consolidados não existem, o que dificulta o apuramento exato de casos. Profissionais de saúde de hospitais da região confirmam subdeclaracão significativa.
As mulheres Embera associam a mutilação a crenças transmitidas de África, reforçadas durante o colonialismo. Relatos locais descrevem que meninas sem a prática são vistas como mais vulneráveis ou indesejadas em determinadas relações, aumentanto a pressão social para manter o costume.
Francia Giraldo, líder Embera e figura-chave do movimento, afirma que muitas crianças morrem sem registo de nascimento nem de óbito. Ela defende que o papel do Estado passe por formação pedagógica nas comunidades, para afastar a prática sem criminalizar as parteiras.
O silêncio envolve a temática: abordar o assunto provoca desconforto e o sigilo persiste em áreas sob jurisdição indígena. A Organização Mundial da Saúde alerta para os danos graves da prática, que pode levar a mortes por hemorragia, infeções e dificuldades de saúde a longo prazo.
Entre na conversa da comunidade