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Dor invisível em mulheres alimenta somatização e doenças crónicas; sem reconhecimento, o sofrimento desorganiza o corpo

Engina Kurt/Pexels
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  • A soma­tização afeta especialmente mulheres, com dor e sofrimento que nem sempre se medem ou identificam, aumentando o risco de mais doença e estigma.
  • Fases como adolescência, gravidez, pós-parto, infertilidade e perimenopausa implicam alterações hormonais e mudanças profundas na identidade e nas relações.
  • Quando o ambiente clínico e social não acompanha, o corpo pode tornar-se o lugar onde esse sofrimento se reorganiza, muitas vezes sob a forma de dor ou disfunção.
  • A dor sem marcador claro tende a ser desvalorizada, o que eleva o risco de condições típicas femininas — como endometriose ou fibromialgia — ficarem pouco objetivadas.
  • Sinais comuns de somatização incluem dor persistente, fadiga, queixas gastrointestinais e insónia; entre as mulheres destacam-se dores pélvicas, menstruais e musculoesqueléticas.

A dor que não se mede com instrumentos clínicos pode condicionar a vida de muitas mulheres, segundo uma análise de especialistas. A situação pode traduzir-se em doença sem diagnóstico claro, gerando estigma e impacto emocional prolongado.

A psicanalista Patrícia Câmara, presidente da Sociedade Portuguesa de Psicossomática, explica que a dor muitas vezes permanece invisível aos exames. O corpo, ao longo de anos, pode tornar-se um espaço de regulação excessiva e de continuidade vital, mesmo sem marcação física.

Para a especialista, a identidade, o lugar relacional e a temporalidade vivida sofrem alterações durante fases como adolescência, gravidez, pós-parto, infertilidade e perimenopausa. Observa-se, nomeadamente, um aumento de queixas somáticas em raparigas e de sintomas na perimenopausa.

Patrícia Câmara ressalva que o corpo não mente, mas pode organizar o sofrimento de formas diversas. A dor sem marcador claro tende a ser desvalorizada, o que dificultou o reconhecimento de condições como endometriose ou fibromialgia, com consequências no sofrimento vivido pelas mulheres.

A historiadora do corpo também indica uma dupla tendência: o corpo é observado de perto, porém, muitas vezes não é levado a sério. Esta desvalorização pode reforçar dúvidas sobre a legitimidade da dor vivida pelas mulheres.

Ao abordar o tema, pede-se criar condições para que o sofrimento exista sem necessidade de prova de legitimidade. Quando não reconhecido, o sofrimento pode intensificar-se e instalar-se ainda mais no corpo.

Como reconhecer sinais de risco

Entre os sinais frequentes de somatização estão dor persistente, fadiga, problemas gastrointestinais, insónia e queixas difusas. Em mulheres, destacam-se dores pélvicas, menstruais e musculoesqueléticas, bem como síndromes dolorosas crónicas como a fibromialgia.

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