- A Itália não avança com a transição energética verde: o governo de Giorgia Meloni não apresentou calendário de leilões para energia eólica offshore, previsto até 2028.
- Apostar na energia eólica offshore está a ser adiado devido a burocracia, oposição local (NIMBY) e conflitos entre ministérios, com críticas de especialistas de que o país pode perder um setor-chave para a segurança energética futura.
- O custo da eletricidade aumenta, alimentado pela dependência do gás natural, que representa quase metade da produção de energia na Itália, a maior proporção na União Europeia.
- A produção de energias renováveis aumentou pouco entre 2020 e 2024 (aprox. 2 pontos percentuais no total), contrastando com ganhos em Espanha, Alemanha e França.
- O governo ainda promove a ideia de nuclear como solução de médio prazo, enquanto a transição continua sob pressão de custos e políticas, com exemplos de empresas estatais a reorientarem investimentos.
A Itália enfrenta custos elevados de energia devido à transição verde travada sob o governo de Giorgia Meloni. O Executivo rejeita a mudança climática como ideologia não baseada na ciência, o que tem efeitos diretos nas famílias e nas empresas.
Dois anos após a lei de 2024 estimular projetos eólicos offshore, não há calendário definido para leilões, ainda que o objetivo inicial seja realizá-los até 2028. A inércia reflete resistência à redução de combustíveis fósseis, num cenário internacional de debate intenso sobre energias limpas.
As empresas portuguesas e italianas sentem o impacto do aumento dos combustíveis fósseis desde o início da escalada bélica no Médio Oriente. A Itália depende fortemente do gás natural importado, o que agrava a factura energética.
Transição energética e custos
Michele Schiavone, diretor de offshore da Copenhagen Infrastructure Partners, afirma que a relutância romana pode comprometer a segurança energética futura do país. O silêncio do Governo é visto como atraso estratégico.
O gás natural representa quase metade daelectricidade italiana, a taxa mais elevada na UE. Em Espanha é cerca de 20%, na Alemanha 17% e na França 3%, onde predomina a energia nuclear.
A travessia energética depende de uma resposta europeia a perturbações de abastecimento. Em vez de acelerar renováveis, a Itália tem procurado novos fornecedores de gás, após crises recentes.
Contexto político e económicos
Riccardo Barbieri, diretor-geral do Tesouro, afirma que o pânico energético resulta da falta de políticas de investimento no passado. A contribuição das renováveis na produção de energia subiu apenas 2,5 pontos percentuais entre 2020 e 2024, segundo Eurostat.
Economistas apontam burocracia, oposição local, interesses de grandes grupos energéticos e resistência de Meloni como causas do desempenho insuficiente. O ministro da Energia vê na oposição local o principal problema.
Meloni propôs reembolsos a centrais a gás sob o regime de licenças de emissão da UE, uma medida vista por ativistas como incentivo à dependência de combustíveis fósseis. A legislação aprovada permite adiamento do encerramento de centrais a carvão para 2038.
Perspetivas e participação do setor
O Governo defende a nuclear para aliviar constrangimentos de médio prazo, porém há dúvidas sobre o tempo e custo. Economistas consideram a opção de longo prazo e pouco viável para a Itália.
A Enel aponta aumento de capacidade renovável entre 2023 e 2025, embora o crescimento, excluindo armazenamento, seja modesto. A Eni mantém foco no petróleo e gás, com investigações em baixa emissão, mas sem alteração marcante de rumo.
A Copenhagen Infrastructure Partners aguarda os leilões offshore para avançar com um projeto que, segundo o interlocutor italiano, pode duplicar a produção de electricidade por gigawatt instalado. O mercado depende de decisão governamental para avançar.
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