- Os 193 Estados-membros da ONU escolhem, na quarta-feira, cinco dos dez lugares não-permanentes do Conselho de Segurança; Portugal concorre aos dois lugares da Europa Ocidental e Outros Estados.
- Antigos diplomatas portugueses dizem que Portugal tem hipóteses, mas enfrentará concorrência forte de Alemanha e Áustria, e um voto secreto que pode trazer surpresas.
- A Alemanha é vista como já tendo reconhecimentos no Conselho; a Áustria também é considerada adversária relevante pela campanha que tem desenvolvido.
- Portugal aposta nas suas ligações internacionais, prestígio e relações com África, América Latina e Ásia, além de uma campanha ativa pelo tema dos oceanos.
- Há cautelas sobre o peso dos blocos, a imprevisibilidade dos votos e a possível descolagem entre apoios declarados e efetivos, que podem afetar o resultado final.
Antigos diplomatas portugueses na ONU acreditam que Portugal pode ser eleito membro não-permanente do Conselho de Segurança, mas reconhecem dificuldades condicionadas pela concorrência, pela imprevisibilidade dos votos e pela influência dos Estados Unidos. O processo decorre nesta quarta-feira, quando 193 Estados-membros escolhem cinco dos 10 lugares não-permanentes.
Portugal compete pela vaga destinada à Europa Ocidental e Outros Estados, numa corrida que envolve Alemanha e Áustria como adversários fortes. A Alemanha é vista quase como um membro semipermanente, com uma candidatura que se repete há anos e que tende a confirmar o apoio institucional. A Áustria também tem investido de forma visível na campanha, procurando marcar diferença no Conselho.
Para António Monteiro, antigo representante de Portugal na ONU, o cenário é complexo: Portugal dispõe de aliados tradicionais, prestígio internacional e uma campanha condizente com as dificuldades, mas a eleição continua “perigosíssima” devido ao peso dos concorrentes e ao voto secreto. O diplomata realçou ainda que o contexto internacional, com conflitos no Médio Oriente, na Ucrânia, em África e no Sudeste Asiático, pode influenciar apoios de última hora.
Os ex-diplomatas enfatizam a importância de manter relações fortes fora da Europa, nomeadamente com a África, a América Latina e o Sudeste Asiático, onde Portugal já tem uma rede de acordos e contactos. A cooperação com o Brasil e a União Africana surge como vantagem perante outros candidatos, segundo avaliações feitas à Lusa.
Alguns antigos representantes, como Francisco Seixas da Costa, reconhecem que a ligação de Portugal aos Estados Unidos pode não favorecer a eleição, ainda que o Governo justifique a posição pela legitimidade eleitoral. O impacto dessas escolhas políticas no apoio sul-americano e africano é visto como uma variável a acompanhar.
A pressão pela vitória permanece alta entre os ex-diplomatas, mas também há reconhecimento de que a função de ocupar um assento não permanente tem, sobretudo, um valor simbólico: confere visibilidade internacional e reforça o papel de Portugal na agenda global, além de permitir maior participação em temas de interesse nacional.
Entre os fatores que podem influenciar o resultado, destacam-se a evolução do quadro político internacional, o alinhamento de blocos regionais e as campanhas já em curso por parte de Alemanha e Áustria. O voto, ainda que secreto, é determinante para o desfecho final e pode depender de movimentos de apoio de última hora.
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