- Sete meses após o início do julgamento, a inspectora-chefe Cláudia Soares afirmou, perante o Tribunal de Sintra, que é praticamente impossível a faca ter sido manipulada pela vítima Odair Moniz e não deixar vestígios.
- Segundo a perita, os disparos foram quase à queima-roupa, com o tiro mortal a ocorrer a vinte a trinta centímetros da vítima e o segundo a cem a cinquenta a setenta e cinco centímetros.
- A intervenção ocorreu naquela madrugada de 21 de outubro de 2024, quando o agente Bruno Pinto disparou sobre Odair Moniz, no âmbito de uma detenção que corre num bairro de Lisboa.
- A faca encontrada no local tem 25 centímetros de comprimento, lâmina serrada de quinze centímetros e cabo de plástico preto de dez centímetros; há versões contraditórias sobre o momento e o local da sua visualização, com imagens de um morador a mostrar que só foi vista vinte e sete minutos depois dos tiros.
- As perícias não identificaram vestígios na faca; a inspectora afirmou que, se houve confronto, haveria vestígios, e referiu que a ausência de marcas é incompatível com a hipótese de a arma branca ter sido manipulada pela vítima.
Alecando o ambiente judicial, surge hoje uma atualização sobre o caso Odair Moniz. Sete meses após o início do julgamento do agente da PSP acusado de ter causado a morte, a inspectora-chefe Cláudia Soares depôs em Sintra com reiteradas dúvidas sobre a possibilidade de a faca ter sido manipulada pela vítima. A perícia aponta para disparos muito próximos da cabeça e do tronco.
A inspectora participou em todas as diligências do caso desde o local, em 21 de Outubro de 2024, quando Bruno Pinto disparou sobre Odair Moniz. As afirmações do agente indicam que o recurso à arma foi motivado pela percepção de uma faca. A faca encontrada no local tem 25 cm de comprimento, com lâmina serrilhada, e gerou controvérsia quanto ao momento da sua visualização.
Perícia e vestígios
Soares destacou que a faca não apresentava vestígios, contradizendo versões que apontavam para possível transferência de vestígios entre vítima e agressor. Segundo a inspectora, a distância dos disparos situava-se entre 20-30 cm para o tiro mortal e 50-75 cm para o segundo disparo, o que complica a ideia de uma luta com arma branca visível no momento dos disparos.
Diligência no local e versões em julgamento
A testemunha descreveu que, ao chegar, o objetivo era inspecionar o local preservado e reconstruir a linha do tempo para identificar vestígios. Cláudia Soares explicou que os agentes tinham pouca experiência e enfrentavam uma situação difícil, num bairro com histórico de tensão com a polícia. As provas apontam ainda para divergências sobre o momento em que a faca foi avistada, com imagens de moradores a mostrar que só foi visto 27 minutos depois dos tiros.
Situação processual
Além de Bruno Pinto, dois agentes foram acusados pelo MP de mentirem sobre ter visto a faca, mas a juíza de instrução despronou-os. O MP recorreu da decisão. O caso envolve uma perseguição após alegada infracção rodoviária que terminou na Cova da Moura, resultando na morte de Odair Moniz.
Considerações finais do testemunho
Ao encerrar o testemunho, a inspectora-chefe afirmou que, ao chegar ao local, o foco era a inspecção do local e a verificação de vestígios, sem se confirmar a existência de uma arma branca no momento dos disparos. O julgamento segue com mais depoimentos e análises em curso.
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