- A CNN avança que as autoridades perceberam que os 14 polícias detidos foram avisados, por pelo menos um colega da PSP envolvido na investigação, de que estavam sob vigilância.
- Foram apreendidos vários telemóveis e encontraram-se mensagens e conversas entre arguidos, além de vídeos que mostram abusos contra as vítimas nas esquadras da PSP.
- Um dos suspeitos terá sido avisado por um colega e informou os restantes arguidos, ajudando-os a obter aconselhamento jurídico e a saber locais para eventuais buscas, chegando mesmo a colocar baixa médica.
- No total, 15 polícias foram detidos (13 agentes e dois chefes) e um civil, segurança de um espaço nocturno, com detenção de um deles revogada posteriormente por habeas corpus.
- O processo envolve 24 elementos da PSP no conjunto das investigações sobre torturas e violações nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, sob inquérito do DIAP de Lisboa.
Agentes detidos no caso da esquadra do Rato terão sido avisados de buscas por colega
A CNN avança que as autoridades terão descoberto que vários polícias envolvidos no caso de tortura e abusos na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, tinham sido avisados previamente por pelo menos um colega da PSP de que estavam sob vigilância e podiam ser alvo de buscas. A indicação surgiu após a apreensão de telemóveis e a leitura de conversas entre arguidos.
Nas escutas e nos telemóveis apreendidos foram encontradas imagens e mensagens que reforçam a acusação de abusos contra vítimas nas esquadras. Um dos suspeitos teria alertado os restantes, permitindo-lhes obter aconselhamento jurídico e conhecer locais de buscas antes do dia da operação. Também houve indicação de possível baixa médica para evitar a atuação policial.
Até ao momento, o processo encontra-se em investigação com o Ministério Público a apresentar alegações. O processo envolve 15 polícias, entre 13 agentes e dois chefes, e decorre no âmbito de um inquérito tutelado pelo DIAP de Lisboa, com foco nas esquadras do Rato e do Bairro Alto.
Investigação e medidas cautelares
O Ministério Público já solicitou medidas cautelares para alguns arguidos. Quatro polícias podem ficar em prisão preventiva, três em prisão domiciliária, e os restantes poderão ficar sujeitos a suspensão de funções e a proibição de contactos com as vítimas. As audiências ocorreram neste fim de semana, após os interrogatórios.
Ao todo, 14 polícias são acusados de 19 crimes de tortura, segundo informações do MP, com outros crimes adicionais atribuídos, como ofensas à integridade física, abuso de poder e falsificação de documentos. Um agente é acusado por omissão em tortura, por ter assistido às agressões, e outro por crimes de ofensas à integridade física, falsificação, furto e violação de correspondência.
Desdobramentos do inquérito
Entre os detidos, um civil, segurança de um espaço nocturno, foi libertado apenas alguns dias depois da detenção, após decisão de habeas corpus e detenção ilegal. Um dos detidos foi libertado logo após a detenção, decorrente de uma decisão judicial. A libertação ocorreu nos dias seguintes aos primeiros interrogatórios.
Contagem atualizada de envolvidos
Com a detenção de 15 polícias — 13 agentes e dois chefes — o número total de elementos da PSP ligados ao caso passa a 24. O processo é denunciado pela PSP e envolve factos ocorridos nas esquadras do Largo do Rato e do Bairro Alto. A investigação continua a decorrer para apurar responsabilidades.
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