- Dezes de milhares de pessoas estiveram em Tirana, no 35.º dia de protestos contra o projeto de alojamentos turísticos ligado à família Trump, na área protegida de Zvërnec.
- O movimento, que começou ambiental, ganhou contornos antigovernamentais, com exigência de demissão do primeiro-ministro Edi Rama e acusações de corrupção.
- Manifestantes marcharam com flamingos cor-de-rosa em direção à sede do governo; houve também o derrube de um busto de Rama pela multidão.
- Um grupo dirigiu-se à esquadra de polícia, onde estão detidas 19 pessoas; houve arrombamento de janelas e resposta com canhões de água.
- O projeto, avaliado em 4,6 mil milhões de dólares, prevê a construção de um hotel de luxo na ilha desabitada de Sazan, gerando protestos desde o anúncio em 2024.
Dezenas de milhares de pessoas concentraram-se em Tirana, Albânia, no 35.º dia de protestos contra o projeto de um complexo turístico ligado à família Trump. O público saiu à rua ainda que o objetivo inicial tenha sido ambiental, transformando-se numa contestação ao governo. A manifestação ocorreu no fim de semana, na região de Zvërnec, no sudoeste do país.
Os manifestantes acusam o governo de corrupção e exigem a demissão do primeiro-ministro Edi Rama. O movimento ganhou força com a participação de cidadãos de várias idades e chegou a reunir milhares de pessoas, muitos carregando flamingos cor-de-rosa em referência ao apelido do protesto.
Um grupo seguiu para a sede do governo, na avenida principal de Tirana, e houve confrontos com a polícia. Jovens teriam quebrado janelas de uma esquadra onde estão detidas 19 pessoas, detidas na marchas anteriores junto ao Parlamento.
A polícia utilizou meios de dispersão, incluindo canhões de água, para conter a multidão, enquanto alguns manifestantes atiravam objetos. O Albanian Helsinki Committee manifestou preocupação com a escalada de violência e pediu investigação independente.
O projeto envolve isolamento de uma ilha desabitada, a ilha de Sazan, com plano de transformar a área protegida do Adriático num polo de turismo de luxo. O custo estimado é de cerca de 4,6 mil milhões de dólares e os investidores defendem benefícios económicos regionais.
Os participantes lembraram que a mobilização tem sido pacífica até então, com histórico de concentrações em frente ao Parlamento. A ação atual inclui a reivindicação de transparência na aprovação ambiental e a revogação de leis que aceleraram a aprovação do empreendimento.
A imprensa local atribui a origem do movimento à preocupação ambiental com a lagoa próxima e ao receio de impactos ecológicos. Entre os slogans destacados, destacaram-se pedidos de justiça, maior transparência e a retoma de um debate público sobre o projeto.
Até ao momento não há informações oficiais de sanções adicionais ou de uma data definida para o desfecho do protesto. Enquanto se mantém o clima de tensão, as autoridades apelam à contenção e ao respeito pelas normas de segurança pública.
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