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Países petrolíferos influenciam conferência climática da ONU em Bonn

Negociações em Bona entram em impasse por interesses dos combustíveis fósseis, com ataques à ciência e sem acordo sobre financiamento à adaptação dos países em desenvolvimento

Reuniões climáticas de junho decorrem em Bona
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  • As negociações intercalares da ONU em Bona prolongaram-se sem acordo sobre um mecanismo de financiamento para ajudar os países em desenvolvimento a adaptar-se às alterações climáticas.
  • O secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, denunciou a lógica de “primeiro os outros” e alertou para divisões significativas que persistem entre as delegações.
  • Interesses dos combustíveis fósseis são apontados como fator que trava avanços, com ataques à ciência e participação de representantes com vínculos a petróleo nas negociações.
  • A Índia e o Grupo Árabe opuseram-se a incluir referências que poderiam combater a desinformação científica e a discutir pontos de rutura climáticos e o objetivo de limitar o aquecimento a 1,5 °C.
  • A Organização Alliance of Small Island States (AOSIS) e outras vozes reiteraram a necessidade de uma transição justa e alertaram para riscos para os vulneráveis, com as perspetivas de Cop31 a serem acompanhadas de perto.

As negociações intercalares da ONU em Bona estenderam-se telém tempo previsto, após falha em acordo sobre um mecanismo de financiamento para adaptação dos países em desenvolvimento às alterações climáticas. O processo continua marcado por divergências entre Estados e pela pressão de interesses ligados aos combustíveis fósseis.

Segundo fontes oficiais, o secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, criticou a postura de países que exigem compromissos de outros antes de avançarem. A debater a Transição Justa, alguns avanços foram notados, mas ficaram ofuscados por disputas sobre quem tem lugar à mesa de negociações.

Interesses do sector chegam a afetar salas de negociação, com delegados a falar de ataques à ciência das alterações climáticas em bastidores. A Iniciativa indicou que, no terreno, há atrasos e tentativas de contornar compromissos científicos estabelecidos pela comunidade internacional.

Pressões de actores petrolíferos

A Índia e o Grupo Árabe, incluindo Arábia Saudita, Emirados e Kuwait, opuseram-se a medidas que visavam esclarecer a desinformação sobre o clima através de uma referência a institutos científicos da ONU. Também se discutiu entrar na discussão sobre pontos de rutura climáticos sem consenso claro.

O instrumento de financiamento e a necessidade de ações rápidas para reduzir emissões foram temas centrais, com a CAN Europe a apontar benefícios claros de reduzir emissões para saúde, energia e emprego, mantendo o objetivo de 1,5 °C.

Delegações de pequenas ilhas, incluindo a AOSIS, expressaram preocupação com o impacto de eventuais mudanças no texto que possam enfraquecer a ciência e atrasar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Observadores alertaram para o risco de comprometer a ambição climática.

Perspetivas para a Cop31 e a transição energética

Foi sublinhada a importância de uma base sólida para a Cop31, prevista para a Turquia, em novembro. O objetivo é consolidar compromissos de financiamento, acelerar a transição para fontes limpas e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, sem comprometer a proteção de países vulneráveis.

A presidência brasileira da COP e a recente conferência de Santa Marta foram citadas como impulso para que os países elaborem roteiros nacionais alinhados com as metas do acordo internacional. Analistas apontam para maior envolvimento de actores não governamentais na tomada de decisões.

Voz das delegações vulneráveis

A representante das Ilhas Marshall afirmou a necessidade de avançar para um futuro mais seguro, destacando que a ciência indica 1,5 °C como limite e que é essencial fechar o fosso de financiamento entre países. Observou-se uma resposta pública ao que considerou ataques à ciência, com defesa de ações firmes para cumprir as metas climáticas.

Organizações ambientais destacaram que a falta de consenso pode atrasar medidas essenciais. A conferência de Bona continua em aberto, com a comunidade internacional a defender decisões ousadas para enfrentar as mudanças climáticas.

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