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Papa apela à Europa para exame de consciência sobre imigração

Papa exorta a Europa a um exame de consciência sobre imigração, defendendo dignidade humana sem fronteiras diante de milhares de chegadas e 3.100 mortos no mar nas Canárias

Imagem de contexto do artigo "Dignidade humana não tem passaporte". Papa pede "exame de consciência" à Europa sobre imigração
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  • O Papa afirmou que a Europa não pode proclamar dignidade humana e normalizar o Mediterrâneo como cemitérios sem lápides, pedindo um exame de consciência a países de origem, trânsito e à própria Europa.
  • Falou em Arguineguín, na Gran Canária, diante de 1.800 pessoas, incluindo migrantes, destacando que os migrantes são pessoas com sonhos, não números.
  • A visita de dois dias às Canárias foca o fenómeno das pateras e prevê encontros com migrantes, ONG e autoridades que resgatam e acolhem.
  • Em 2025 chegaram às Canárias 17.788 pessoas em pateras; em 2023 foram 39.910 e em 2024, 46.843; morreram 3.100 no último ano, segundo Caminando Fronteras.
  • O Papa pediu vias legais e seguras de imigração, resgate e proteção de vítimas, cooperação internacional e um compromisso da Igreja no acolhimento, sem reduzir a pessoa a número.

O Papa dirigiu um apelo à Europa para enfrentar com coragem o drama das migrações. Em Arguineguín, no arquipélago das Canárias, pediu exame de consciência a políticos e sociedade civil, sobre o mar Mediterrâneo transformado em cemitérios sem lápides.

O Sumo Pontífice afirmou que a dignidade humana não tem fronteiras e alertou que não se pode habituar a contar mortos. O discurso foi proferido perante cerca de 1800 pessoas, incluindo imigrantes, no porto de Arguineguín.

Durante a visita de dois dias dedicada à imigração, o Papa enfatizou que os migrantes são pessoas com histórias e famílias, não números, e apelou a opções legais e seguras de entrada, bem como a proteção contra redes criminosas.

Contexto e implicações

O líder da Igreja Católica defendeu que os países de origem devem promover paz, justiça e desenvolvimento, enquanto os de trânsito devem proteger os migrantes e as vias de acolhimento adequadas devem ser fortalecidas na Europa.

Relativamente à atuação da comunidade internacional, o Papa pediu cooperação eficaz e duradoura, reforçando a necessidade de resgate, assistência e políticas que permitam a integração dos migrantes.

Ele também exortou autoridades civis, parlamentos, governos e organizações internacionais a não apenas gestionar chegadas, mas a atuar de forma integrada para pôr fim ao tráfico de pessoas.

Realidade local e números oficiais

A visita coincide com o histórico fluxo de pateras e cayucos que chegam às Canárias. Em 2025, registaram-se quase 17 788 entradas de migrantes, num registo já superior aos anos anteriores, pese embora a redução relativa face aos máximos de 2023 e 2024.

Segundo organizações, o número total de mortes no mar na rota para as Canárias em 2024 foi de cerca de 3 100, reconhecendo uma das vias migratórias mais perigosas do mundo. A organização Caminando Fronteras destaca a gravidade da situação.

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