- A comissária europeia para o Ambiente, Jessika Roswall, defendeu que a política ambiental da União Europeia deve passar a ser parte essencial da estratégia de defesa da Europa.
- Bruxeias deve ligar ambiente, economia e segurança, destacando que alterações climáticas, escassez de água e perda de biodiversidade representam riscos existenciais e de segurança.
- Exemplos citados incluem a possibilidade de usar zonas húmidas como barreiras fronteiriças para dificultar a passagem de material militar, com estudo em palco na Lituânia.
- Um relatório do Ministério do Ambiente do Reino Unido alerta que a degradação da natureza pode gerar instabilidade geopolítica, impactos económicos e migrações, enfatizando a necessidade de intervenção decisiva.
- Roswall sublinhou o papel da Lei da Economia Circular, prevista para final de 2026, para aumentar materiais reciclados e reduzir a dependência de matérias-primas virgens, promovendo autonomia estratégica da União.
A política ambiental da União Europeia deve ser tratada como parte essencial da estratégia de defesa europeia, defende a comissária de Ambiente, Jessika Roswall. Em entrevista à Euronews, sublinhou a necessidade de ligar ambiente, economia e segurança.
Roswall afirmou que os impactos climáticos representam risco existencial para a Europa e para a sua segurança. A água surge como exemplo-chave: é recurso diário, base de energia e alimento, e a escassez pode tornar-se uma ameaça à estabilidade.
A comissária explicou que, a nível global, a água também alimenta conflitos. Encarou os recursos naturais como instrumentos estratégicos, citando estudos em Polónia, Finlândia e Lituânia sobre a recuperação de turfeiras para verificação da fronteira e proteção contra invasões.
Estratégias de defesa e natureza
Não foi apenas defesa física. A líder europeia destacou que zonas húmidas podem funcionar como barreiras naturais, dificultando a passagem de material militar pesado, como viaturas blindadas.
Na Lituânia, os ministérios da Defesa e do Ambiente colaboram para transformar zonas húmidas em barreiras fronteiriças, numa dupla função de mitigação climática e proteção nacional. A perda de biodiversidade também é apontada como ameaça à segurança.
Contexto e dependência externa
O tema surge num relatório britânico do DEFRA, com participação de MI5 e MI6, que alerta para a degradação da natureza como principal ameaça à segurança nacional do Reino Unido. O documento aponta riscos de instabilidade geopolítica e migrações.
Roswall reiterou que a dependência europeia de fertilizantes e de energia de fora da UE tem impactos económicos e de segurança. Defendeu a Lei da Economia Circular como ferramenta-chave para autonomia estratégica de Bruxelas.
Economia circular e futuro
A Lei da Economia Circular, prevista para o final de 2026, pretende aumentar a recuperação de materiais e reduzir a importação de matérias-primas virgens, por exemplo, para dispositivos eletrónicos. O objetivo é criar um mercado único de matérias-primas secundárias.
Roswall enfatizou a necessidade de tornar os materiais secundários economicamente atrativos, pois as matérias-primas virgens continuam a ser mais baratas porém escassas e utilizáveis como instrumento de pressão. O apelo foi para mudanças de mentalidade em consumidores, políticos e empresas.
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