- A reitora da Universidade Católica, Isabel Capeloa Gil, tornou‑se conselheira de Estado por indicação do Presidente da República, defender a importância da ciência e da academia no Conselho.
- Diz que a reforma laboral sem IA é uma oportunidade perdida e que a IA pode aumentar a eficiência, mas pode colocar o humano em posição de obsoleto; critica a falta de regulação em Portugal e na União Europeia.
- Afirmou que, enquanto conselheira, não tem agenda própria e deve responder às preocupações do Presidente; acredita que a saúde deve manter acesso universal, com opção de private quando cabível.
- Refere uma visão crítica ao SNS, apontando desorganização sistémica, necessidade de formar mais médicos e modernizar infraestruturas; aguarda que o pacto para a saúde traga estabilidade política.
- Comenta o aumento da polarização entre jovens e destaca o papel da universidade em tirar os estudantes das bolhas, promovendo pensamento crítico, desde que seja equilibrado com o uso responsável da IA.
Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica, tornou-se conselheira de Estado por indicação do Presidente da República. A nomeação reforça o reconhecimento da ciência e da academia, segundo a própria líder, que nota uma polarização cada vez mais marcada entre jovens.
Na entrevista ao Hora da Verdade, parceria do PÚBLICO-Renascença, a professora defende que a diversidade de experiências enriquece o órgão de aconselhamento público. A propósito, recorda que a sustentabilidade de políticas públicas requer visão académica integrada.
A reitora aponta que a reforma laboral em curso é insuficiente frente às mudanças tecnológicas, incluindo a IA. Diz que a reforma é pequena e que faltam enquadramentos para defender as pessoas em empregos que vão desaparecer ou mudar. Identifica uma oportunidade perdida.
Para temas da saúde, Capeloa Gil defende que o SNS deve manter acesso universal, com espaço para a health privada, e aposta na continuidade de políticas estáveis entre legislaturas. Considera que a transformação exige pactos de regime em áreas estratégicas.
Sobre o mercado de trabalho e atratividade de talento, a reitora observa que há fuga de cérebros para o estrangeiro. Alega que há dificuldade em reter profissionais qualificados no tecido empresarial nacional e que é necessária a melhoria de incentivos, salários e gestão de tempo.
Quanto ao papel da academia, enfatiza que as universidades devem tirar os jovens da bolha digital, promovendo debate presencial e aplicação de evidência. Reconhece o impacto da digitalização, mas vê no contacto humano um elemento essencial para o pensamento crítico.
Na avaliação internacional, menciona a crise de regulação da IA em Portugal e a dependência de diretivas europeias. Avisa para o risco de desinformação e desinstitucionalização, sublinhando que a ciência precisa de continuidade estável financiada.
Perspetivas para o 10 de Junho e o contexto internacional
Capeloa Gil comenta que o 10 de Junho deve marcar união nacional, destacando fragilidades que vão desde a desburocratização até à justiça lenta. Mantém prudência quanto ao impacto político de eventuais reformas anunciadas pelo Governo.
Sobre a relação com os Estados Unidos, evita confrontos diretos e defende uma posição diplomática equilibrada. Reitera que Portugal não está de cócoras, destacando a importância estratégica dos Açores para a segurança europeia.
Entre na conversa da comunidade