- A Amnistia Internacional acusa a União Europeia de Radiodifusão de ter apresentado um duplo padrão ao não suspender Israel do Festival Eurovisão, classificada de cobardia.
- A organização afirma que Israel participa do festival enquanto continua as operações na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, com pelo menos 72 mil mortos, considerados genocídio por uma comissão independente da ONU.
- Portugal está presente na primeira semifinal que decorre na terça-feira; cinco países se retiraram este ano (Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia) por protestos contra Israel.
- A Amnistia sustenta que a participação de Israel oferece-lhe uma plataforma para desviar a atenção do que classifica como genocídio, anexação e apartheid, acusando a EBU de trair os valores do festival.
- A organização lembra que o festival já teve expulsões de países no passado e que houve uma carta aberta, subscrita por mais de 1.100 músicos, a pedir boicote ao concurso devido à participação de Israel.
A Amnistia Internacional criticou a participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção, classificando a decisão como um ato de cobardia e denunciando um duplo padrão, por não suspender o país tal como ocorreu com a Rússia. A organização pediu um posicionamento claro da EBU.
A primeira semifinal acontece na terça-feira, com a participação de Portugal. Este ano, a Eurovisão registou a desistência de cinco países devido aos ataques de Israel na Faixa de Gaza iniciados em outubro de 2023, que já ceifaram milhares de vidas.
A Amnistia recorda condenações da ONU e de tribunais internacionais sobre Israel, alegando que a participação de Israel dá ao país uma plataforma para desviar a atenção do conflito e para avançar com políticas de ocupação e de anexação, incluindo Jerusalém Oriental.
Para a organização, a EBU estaria a trair os valores da Eurovisão ao permitir a presença de Israel, citando protestos de países que se retiraram do concurso. A Amnistia afirma que não deve haver palco para Israel enquanto persistir o que chamam de genocídio em Gaza.
O The Eurovision Song Contest é realizado anualmente desde 1956. Já houve exclusões, como Bielorrússia em 2021 e Rússia em 2022, por razões políticas. Israel participou pela primeira vez em 1973 e já venceu quatro vezes.
Em abril, circulou uma carta aberta com mais de 1.100 signatários da comunidade cultural de vários países, incluindo Portugal. O texto pede que o festival não seja utilizado para branquear ou normalizar o conflito israelo-palestiniano.
A maioria dos representantes do Festival da Canção da RTP, ocorrido em março, indicou recusa em representar Portugal na Eurovisão caso tivessem vencido o concurso. O evento continua a atrair controvérsia internacional.
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