- A CNA-PRR declarou a Linha Rubi do Metro do Porto em estado crítico, devido a atrasos nas obras de túneis e ao inverno chuvoso.
- A Metro do Porto anunciou que não vai utilizar na totalidade as verbas do PRR, procurando fundos do Sustentável 2030 para financiar a obra e reduzir a participação do Orçamento do Estado.
- A conclusão da linha, que vai ligas Casa da Música a Santo Ovídio e inclui uma nova ponte sobre o Douro, está prevista para julho de 2028, com o projeto a enfrentar riscos de execução temporal.
- O custo inicial previsto pelo PRR era de 299 milhões de euros; em maio de 2023 já tinha subido para 435 milhões, com fundos do Fundo Ambiental e OE adicionais. Em maio de 2025 o Governo autorizou mais 52,9 milhões de euros, elevando o total para 487,9 milhões.
- A CNA-PRR recomenda monitorização rigorosa da execução física, validação antecipada de evidências à Comissão Europeia e confirmação de eventuais verbas do Sustentável 2030 para completar a obra.
A Linha Rubi do Metro do Porto encontra-se em estado crítico, segundo a Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR (CNA-PRR). A obra, entre Casa da Música e Santo Ovídio, inclui a ponte sobre o Douro e sofre com atrasos, invernos rigorosos e dificuldades de escavação. O objetivo é financiar com PRR parcialmente, recorrendo a fundos europeus Sustentável 2030 para reduzir a participação do Orçamento do Estado.
A CNA-PRR aponta que a execução está visível no terreno, mas o ritmo é menos acelerado do que o previsto. A equipa técnica indica riscos de cumprimento dos quilómetros financiados pelo PRR, condicionados pela meteorologia e pela complexidade dos elementos estruturantes. A ponte do Douro é destacada como núcleo crítico da obra.
Financiamento e perspetivas
A Metro do Porto confirmou à Lusa que, devido aos atrasos, não vão usar na totalidade as verbas do PRR e vão procurar fundos do Sustentável 2030 para financiar parte do projeto. O Governo respondeu em igual tom, sem confirmar montantes, questionando-se se haverá alocação desses fundos.
O relatório da CNA-PRR detalha que desde o início o investimento teve riscos de execução temporal, pela dimensão, urbanismo e possível litigância em contratos públicos. Observa ainda que a entrada em operação terá de ser faseada devido à importância da ponte sobre o Douro.
Situação atual do investimento
Apesar da obra em curso, há várias frentes de trabalho, incluindo túneis, estações e infraestruturas em Vila Nova de Gaia e no Porto. A ponte está também em construção, com pilares visíveis e tabuleiro a avançar. A data prevista de conclusão permanece pendente de monitorização contínua.
Em abril de 2025 houve alterações financeiras, com redução da ambição das verbas do PRR, passando de subsídios para empréstimos e de 6,74 para 5,5 quilómetros financiados. Em novembro de 2025 houve nova redução de ambição, com sete estações enquadradas no PRR.
Custos e prazos
O orçamento total aumentou desde a anunciação em 2021. O custo previsto, originalmente de 299 milhões de euros financiados pelo PRR, já ultrapassou 435 milhões de euros antes da consignação de 2024, com o OE a cobrir até 96 milhões e o Fundo Ambiental com 40 milhões. Em maio de 2025, o Governo autorizou mais 52,9 milhões, elevando o total autorizado para 487,9 milhões.
Desdobramentos previstos
A entidade reguladora recomenda controlo rigoroso da execução física, monitorização contínua de elementos críticos e validação antecipada de evidências para a Comissão Europeia. Espera-se que a gestão de cronogramas e financiamento permita clarificar o caminho para a conclusão da Linha Rubi.
Entre na conversa da comunidade