- A TVI tornou públicas escutas da “Operação Influencer”, que sugerem que António Costa pode ter errado na conferência de imprensa de demissão em 2023 ao dizer que não tinha falado com Diogo Lacerda Machado sobre os negócios.
- Costa recusou comentar o conteúdo, afirmando ter sido ouvido há quase dois anos, já ter pedido acesso ao processo várias vezes e dizer que não vai comentar o que não conhece.
- Em 2022, numa conversa com Diogo Lacerda Machado, Costa comentou sobre a “dinâmica extraordinária” do projeto em Sines e o possível envolvimento de investidores americanos; o ex-primeiro-ministro disse que era útil que eles se entusiasmassem.
- Numa troca de mensagens de 2021, João Galamba e Eugénia Correia referem-se ao investimento de três mil milhões de euros e ao papel de um advogado ligado ao megaprojeto; Galamba sugeriu que o PM estaria a par do que a equipa fazia.
- O caso levou à demissão de Costa a 7 de novembro de 2023 e à dissolução da Assembleia da República; as escutas chegaram ao Supremo Tribunal de Justiça apenas em 2025, mas não podem ser usadas contra Costa devido ao prazo legal.
António Costa voltou a ser tema de uma notícia envolvendo a denominada Operação Influencer, após a TVI divulgar escutas que poderão colocar em causa a versão apresentada pelo ex-primeiro-ministro aquando da demissão em 2023. O assunto foi pedido por jornalistas durante a 47.ª edição dos Colóquios de Relações Internacionais, em Braga.
Costa recusou comentar o conteúdo das gravações. Afirmou já ter pedido acesso ao processo há quase dois anos e não ter conhecimento suficiente sobre o que ocorreu após essas investigações. Garantiu que não faria comentários sem fundamentação e que não conhece integralmente as escutas.
Conteúdo divulgado pela TVI
A reportagem da TVI, emitida na segunda-feira, detalha escutas da operação que envolve o megacentro de processamento de dados de Sines. Segundo as gravações, Costa terá dito, em 2022, a Diogo Lacerda Machado que o tema Sines era dinâmico e que investidores americanos poderiam entrar no projeto, sugerindo envolvimento com negócios de lítio e hidrogénio.
Outra conversa mostra João Galamba, na época secretário de Estado, a discutir com a chefe de gabinete Eugénia Correia, sobre o desenvolvimento do projeto e o peso financeiro pretendido. Nessa troca, Galamba mencionou o montante de investimento, associando a negociação a um reconhecimento público de investidores.
Contexto do processo
As escutas envolvem ainda outros membros do Governo anteriores, incluindo o Presidente do Conselho Europeu, ouvido em conversas com suspeitos da operação. As gravações chegaram ao Supremo Tribunal de Justiça apenas em 2025, mas não podem ser usadas contra Costa devido ao decurso do prazo legal.
António Costa anunciou a demissão do cargo a 7 de novembro de 2023, no dia em que foram divulgadas buscas em ministérios e na residência oficial. A PGR confirmou a situação de Costa e de João Galamba, que era arguido, numa altura em que o Presidente da República dissolveu a Assembleia e marcou eleições antecipadas.
Desdobramentos
O caso levou à demissão do então chefe de gabinete, Vítor Escária, após a apreensão de 75.800 euros em notas no seu gabinete. O objetivo das investigações é esclarecer se houve interferência política ou favorecimento relacionado com o projeto em Sines e com investidores do setor energético.
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