- Em Santa Marta, Colômbia, realiza‑se uma conferência sobre a transição dos combustíveis fósseis, de 29 de abril, com a participação de mais de meia centena de países.
- O objetivo é discutir a eliminação progressiva de carvão, petróleo e gás natural, num contexto de pressão causada pela crise energética e pelo bloqueio do estreito de Ormuz.
- A ideia é preparar, a partir de 2027, negociações para um tratado vinculativo de eliminação de combustíveis fósseis, com ênfase na transição rápida, justa e financiada.
- A soma de 86 por cento dos fatores que provocam alterações climáticas está ligada à dependência dos combustíveis fósseis, segundo os organizadores; espera‑se que outros países se juntem ao movimento durante a conferência.
- O papel da União Europeia é visto como fundamental para liderar a transição, com a expectativa de que o Norte Global antecipe compromissos ambiciosos e responda à ciência, apesar de o evento não resultar num consenso formal imediato.
Kumi Naidoo, ex-diretor da Greenpeace e hoje à frente a iniciativa Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty, participa numa conferência que decorre em Santa Marta, Colômbia, até 29 de abril. O encontro reúne mais de meia centena de países para discutir a dependência global dos combustíveis fósseis. O objetivo é avançar para um tratado que elimine progressivamente carvão, petróleo e gás natural.
O evento funciona paralelamente a outras dinâmicas climáticas internacionais e surge no contexto da crise do canal de suministro de energia. Embora Portugal esteja a acompanhar as discussões, não estará representado a nível ministerial, e o encontro não deverá resultar numa declaração vinculativa imediata. Será apresentado um sumário da presidência conjunta Colômbia-Países Baixos.
Objetivo e perspetivas para a transição
Naidoo afirma que a conferência visa abrir caminho para negociações futuras de um tratado vinculativo para abolir os combustíveis fósseis, ainda que o resultado dependa de várias fases multilaterais. A ideia é lançar bases para que, no início de 2027, haja negociações mais avançadas entre países com maior ambição climática.
O responsável aponta que 86% dos fatores que impulsionam as alterações climáticas estão ligados à dependência dos combustíveis fósseis. O debate envolve, entre outros temas, financiamentos para a transição energética e prazos diferenciados conforme a dependência económica de cada país.
Contexto global e papel da UE
A conferência em Santa Marta é descrita como um passo preparatório para futuras etapas nas Nações Unidas. O objetivo é criar condições para que governos do Sul Global avancem com estratégias de substituição de receitas do carvão por alternativas sustentáveis, respeitando realidades económicas nacionais.
Sobre o papel de Donald Trump, Naidoo sugere que a posição do ex-presidente dos EUA, favorável à exploração de combustíveis, tem efeito contrário às suas próprias políticas, contribuindo para a percepção pública de risco ambiental. O foco permanece na construção de consenso internacional para a transição energética.
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