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Kamel Daoud diz ter sido condenado a três anos de prisão pelo tribunal argelino

Kamel Daoud condenado a três anos de prisão na Argélia por Huris, romance sobre a guerra civil, acusado de usurpar a história de uma sobrevivente

Kamel Daoud quando recebeu o prémio Goncourt, em 2024
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  • Kamel Daoud foi condenado a três anos de prisão na Argélia e a pagar cinco milhões de dinares argelinos (cerca de 32 mil euros), segundo a Carta para a Paz e a Reconciliação Nacional.
  • A condenação incide sobre o romance Huris, que lhe valeu o prémio Goncourt em 2024 e que aborda a guerra civil argelina, tema proibido na lei nacional.
  • Saâda Arbane, sobrevivente do massacre de Djelfa, acusa Daoud de usurpar a sua história e também não autorizou a utilização de detalhes médicos protegidos por sigilo, alegando violação de sigilo médico.
  • Existiram processos na justiça argelina contra Daoud e Aicha Dehdouh (esposa do escritor), bem como queixas na França; há também mandados de captura internacionais emitidos desde maio de 2025.
  • Daoud, residente em França, afirmou nas redes sociais que o veredicto criminaliza a menção pública da guerra civil e descreveu a Argélia como regime de terror.

Kamel Daoud foi condenado a três anos de prisão pela justiça argelina, em julgamento que envolve o romance Huris, laureado com o prémio Goncourt de 2024. A condenação está relacionada com a alegação de que o livro aborda a guerra civil argelina, tema proibido pela legislação local, e com acusações de usurpação da história de uma sobrevivente.

O veredicto, referente a um processo movido no âmbito da chamada Carta para a Paz e a Reconciliação Nacional, foi proferido a 21 de Abril de 2026, após o julgamento de 7 de Abril. Daoud, que vive em França, anunciou a decisão numa publicação na rede social X, acrescentando que o texto criminaliza a menção pública da guerra civil.

Saâda Arbane, sobrevivente do massacre de Djelfa, acusa o escritor e a esposa, Aicha Dehdouh, de terem usado a sua história sem autorização. Arbane diz ter partilhado detalhes sensíveis em consultas confidenciais com sigilo médico, que teriam inspirado aspetos de Huris. Existem dois processos distintos na justiça argelina contra Daoud e Dehdouh, segundo fontes ligadas ao caso.

Processo e acusações

Desde 2024, o caso envolve queixas por violação de sigilo médico e violação da vida privada, com ações também em França por danos à privacidade. Desde Maio de 2025 existem mandados internacionais de captura emitidos pela Argélia contra Daoud, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Contexto institucional

O editor do escritor, Antoine Gallimard, sustenta que as personagens e a narrativa de Huris são ficcionais. A Argélia mantém Huris proibido, associando o tema da guerra civil a restrições legais. Daoud descreve a situação como uma repressão política ao seu trabalho de ficção.

Repercussões e posição do autor

Daoud afirma que a imprensa e setores próximos do regime alimentaram campanhas difamatórias. Em França, o autor continua sob proteção legal e não deverá enfrentar sanções adicionais fora da Argélia. O caso tem gerado debates sobre liberdade de expressão e memória histórica no país.

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