- Autoridades iranianas executaram pelo menos 1.639 pessoas em 2025, o que representa o maior número desde 1989, numa média superior a quatro execuções por dia.
- O relatório de organizações não-governamentais alerta para o uso da pena de morte como instrumento de opressão se a crise for ultrapassada, sugerindo que as execuções possam intensificar-se.
- As ONG também apontam que o recurso à pena capital pode aumentar devido à guerra entre Israel e os Estados Unidos.
- Quase a metade das execuções de 2025 ocorreu por crimes relacionados com drogas, e as minorias étnicas continuam sob representação desproporcionada entre os executados.
- Pelo menos 48 mulheres foram enforcadas em 2025, o número mais baixo em mais de duas décadas, mas com um aumento de 55% em relação a 2024; 21 dessas mulheres teriam sido condenadas por homicídio do marido ou noivo.
As autoridades iranianas executaram pelo menos 1639 pessoas em 2025, número que representa um recorde desde 1989, segundo duas organizações não-governamentais. A estimativa indica uma média acima de quatro enforcamentos diários no ano em curso.
O relatório das ONG ressalva que, se a República Islâmica superar a crise atual, poderá haver um agravamento das execuções como instrumento de opressão. O recurso à pena capital pode também aumentar devido à guerra desencadeada por Israel e pelos EUA.
Contexto e perspetivas
A IHR aponta que a estimativa de enforcamentos em 2025 é um mínimo face ao potencial real, uma vez que muitas execuções não são tornadas públicas pelos meios oficiais. Centenas de manifestantes detidos correm o risco de pena de morte por participação em atos de janeiro de 2026 contra as autoridades.
As organizações alertam para a repressão após as manifestações e para a discriminação de minorias étnicas entre os executados. Entre as minorias visadas estão os curdos no oeste e os baluchis no sudeste, maioritariamente seguidores do sunismo.
Dados do relatório indicam ainda que quase metade dos executados em 2025 tinham sido condenados por crimes relacionados com drogas. Pelo menos 48 mulheres foram enforcadas, o maior número em mais de duas décadas, um aumento de 55% em relação a 2024.
A direção das ONG reconhece que a repressão tem efeito de dissuasão sobre protestos. Um analista da IHR sublinha que as execuções diárias visam impedir novas manifestações. Além disso, a dada altura houve a execução de sete pessoas associadas a incidentes de janeiro desde o início da guerra regional.
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