- A dicotomia cidade-campo alimenta a narrativa da extrema-direita na Europa, apresentando as elites urbanas como distantes e as “pessoas reais” do campo como vítimas.
- Em França, por exemplo, muitas cidades continuam sob centro, incluindo Paris, mas a extrema-direita consegue controlar boa parte das municipalidades.
- O problema não é apenas a dicotomia, mas o uso político dessa ideia para justificar o crescimento de movimentos extremistas, especialmente em períodos de polarização.
- Combater essa narrativa exige diálogo entre cidade e campo, melhoria de infraestruturas e políticas de coesão territorial que reduzam as barreiras do cotidiano.
- Países onde cidadãos, independentemente de onde moram, sentem que o que os une é mais forte que o que os separa tendem a ter uma democracia mais saudável e menos espaço para extremismo.
O eixo cidade-campo tornou-se uma lente através da qual a extrema-direita tem ganhado força política, com efeitos práticos em eleições locais nos países europeus. A narrativa sustenta que as cidades representam elites tecnocráticas, enquanto o campo encarna valores tradicionais e resistência.
A partir desta dicotomia, movimentos extremistas ganham credibilidade ao apresentar uma divisão clara entre quem governa e quem vive no terreno. Em França, por exemplo, muitas cidades permanecem sob centro-direita ou centro, mas a extrema-direita conquista uma fatia significativa de municípios, demonstrando eficácia local.
A problematização corre também sobre o diagnóstico de elites: as cidades seriam o nicho dessas elites, distantes das necessidades reais das pessoas que recebem salários baixos. Os defensores desta leitura afirmam que o medo de perder espaço económico e social fomenta a hostilidade política.
Essa narrativa alimenta um ciclo perigoso, que fortalece a polarização e a desconfiança mútua entre residentes urbanos e rurais. O resultado é uma justaposição de interesses que pode favorecer agendas extremistas em cenários de crise.
Contexto europeu
Para enfrentar esta narrativa, é essencial promover um diálogo transversal entre cidadãos de ambos os pólos. A cooperação precisa de infraestruturas de mobilidade, ligações rodoviárias e ferroviárias que conectem regiões, e políticas públicas de coesão territorial.
Caminhos para a coesão
A implementação de políticas que reduza disparidades regionais é central para evitar que a cidade ou o campo funcionem como combustível para discursos de ódio. Um país mais coeso pode fortalecer a democracia e limitar o terreno de atuação de movimentos radicais.
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