- O Hamas anunciou a dissolução do órgão governante de Gaza, abrindo caminho a um comité tecnocrático para gerir o território.
- A demissão da comissão de emergência, liderada por Mohammed al-Farra, facilita a transição administrativa para a Comissão Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).
- A NCAG, criada no âmbito do Conselho da Paz dos EUA, tem a sua liderança no tecnocrata Ali Shaath, e tem estado a operar a partir de fora de Gaza.
- O Hamas afirma que esta mudança visa eliminar pretextos para ocupação e facilitar a transferência de responsabilidades ao comité, com a entrada rápida da NCAG em funções.
- As negociações no Cairo entre Hamas e outras facções visam a segunda fase do cessar-fogo, incluindo desarmamento do Hamas e retirada gradual de forças israelitas, processo que permanece paralisado.
O grupo militante Hamas anunciou na segunda-feira a dissolução do órgão que governa a Faixa de Gaza há quase 20 anos, abrindo caminho para uma comissão tecnocrática conduzir o governo civil. A medida surge após meses de negociações e buscas por uma transição administrativa.
O Hamas informou à AFP que a demissão do chefe da comissão de emergência do governo, Mohammed al-Farra, foi oficializada. A transição deve ocorrer para a Comissão Nacional para a Administração de Gaza, a NCAG, responsável pela gestão diária.
A NCAG foi criada pelo Conselho da Paz, estabelecido pelos Estados Unidos para mediar o cessar-fogo entre Hamas e Israel em outubro de 2025. O grupo pretende afastar-se da gestão cotidiana, mantendo a guarda de posições ainda não resolvidas.
Segundo o Hamas, a dissolução facilita a transição administrativa para a NCAG e evita pretextos para ocupação. Hazem Qassem, porta-voz do Hamas, afirmou que o objetivo é facilitar a entrada em funções da NCAG.
Fontes do Hamas disseram à AFP que a decisão já foi comunicada a outras facções palestinianas em reunião recente no Cairo, que teriam recebido a medida de forma favorável como passo para a administração comum.
A NCAG, liderada pelo tecnocrata Ali Shaath, deve assumir responsabilidades administrativas no território costeiro, que tem estado sob pressão humanitária e militar desde o início do conflito. A sede permanece fora de Gaza há meses.
Mesmo com a dissolução, persiste a controvérsia sobre desarmamento e a segunda fase do cessar-fogo. As negociações em Cairo continuam, com Israel a exigir condições diferentes para qualquer acordo de desocupação gradual.
Israel condiciona a evolução da tutela na região a uma administração palestiniana estável, mas rejeita o regresso do Hamas ao poder, mantendo cautelas sobre o envolvimento da Autoridade Palestiniana em Ramallah.
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