- Estudo internacional divulgado na revista PLOS ONE indica que o Homo erectus já usava o fogo de forma regular há cerca de 1,8 milhões de anos, na Gruta de Wonderwerk, África do Sul.
- A investigação contou com a participação de Filipe Natálio, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e foi liderada por investigadores do Museo Nacional de Ciencias Naturales (MNCN-CSIC) e da Universidade de Toronto.
- Vestígios usados para apoiar a conclusão incluem ossos de micromamíferos e bolas regurgitadas por aves de rapina, que teriam servido de combustível para manter o fogo na gruta, a cerca de 30 metros da entrada.
- Os cientistas desenvolveram um método não invasivo de luminescência para distinguir fósseis queimados de alterações químicas durante a fossilização, permitindo datar com maior rigor o fogo antigo.
- A descoberta reforça a importância do fogo na evolução humana, fornecendo luz, calor e proteção, e levanta questões sobre as origens da alimentação e do cozimento.
Investigadores internacionais revelaram que o Homo erectus já utilizava fogo de forma regular há cerca de 1,8 milhões de anos, numa descoberta publicada recentemente. O achado atualiza a cronologia do uso do fogo entre hominídeos, antes fixada em cerca de um milhão de anos.
O estudo envolve Filipe Natálio, da Unidade de Biociências Moleculares Aplicadas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e é liderado por equipas do MNCN-CSIC, Espanha, e da Universidade de Toronto, Canadá. A pesquisa decorreu na Gruta de Wonderwerk, na África do Sul.
A investigação aponta que o fogo pode ter sido introduzido intencionalmente e mantido dentro da gruta, a cerca de 30 metros da entrada atual. Os vestígios são baseados na análise de micromamíferos e nos restos regurgitados encontrados no interior.
Segundo a universidade, o chão da gruta estava coberto por bolas regurgitadas por aves de rapina durante quase dois milhões de anos, que teriam servido como combustível para manter o fogo aceso.
Para superar um desafio metodológico significativo, a equipa desenvolveu um método não invasivo de luminescência para distinguir fósseis queimados de outros minerais que podem imitar marcas de fogo, assegurando a autenticidade dos vestígios.
O estudo reforça a importância do fogo como inovação humana, oferecendo calor, luz e proteção contra predadores, bem como abrindo espaço a novas dinâmicas sociais.
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