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Gasoduto dos EUA provoca disputa política na Bósnia-Herzegovina

A saída antecipada do Alto Representante da ONU agrava a controvérsia sobre o gasoduto norte‑americano, com impacto político nos Balcãs

Alto representante para a Bósnia-Herzegovina, Christian Schmidt, numa discussão em painel em Ohio, EUA, em 23 de maio de 2025
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  • O Alto Representante da ONU para a Bósnia e Herzegovina, Christian Schmidt, deixa o cargo antes do previsto, após cinco anos.
  • O tema central é o gasoduto norte‑americano da AAFS Infrastructure and Energy, que liga um terminal de GNL croata de Krk à Bósnia, num investimento de 1,5 mil milhões de dólares.
  • A União Europeia rejeita o gasoduto, alegando falta de transparência no processo de adjudicação; a proibição da importação de gás russo para a UE a partir de 2028 também impacta a Bósnia, país candidato à adesão.
  • Milorad Dodik, líder separatista, apoia o projeto, enquanto Schmidt o encara como uma ameaça à soberania bósnia; chegaram a enviar‑se capacetes da SS como ataques pessoais.
  • Sobre o substituto de Schmidt, EUA defendem Antonio Zanardi Landi; Alemanha, França e Comissão Europeia apoiam René Troccaz, ainda sem consenso entre as partes.

O alto representante das Nações Unidas para a Bósnia-Herzegovina, Christian Schmidt, deixa o cargo antes do fim do mandato. A saída surpreende após cinco anos, numa altura em que o gasoduto norte-americano domina a agenda política. O projeto ameaça a estabilidade regional.

A iniciativa envolve a empresa norte-americana AAFS Infrastructure and Energy, criada em 2025. A empresa planeia ligar um terminal de GNL croata, na ilha de Krk, a território bosnío, com financiamento estimado em 1,5 mil milhões de dólares. A UE critica o processo de adjudicação.

O gasoduto pode reduzir a dependência da Bósnia do gás russo a partir de 2028, data prevista para a proibição europeu de importação de gás russo. Bruxelas questiona a transparência da operação e não correu com o apoio financeiro comunitário.

Contexto do gasoduto

A iniciativa encara resistência da UE, que avalia que o processo não foi suficientemente transparente. A documentação aponta para interesses energéticos dos Balcãs e pressões externas sobre a Bósnia, país candidato à adesão à UE.

Schmidt tem reservas sobre o projeto, afirmando que foi lançado pela UE para diminuir a dependência do petróleo russo, mas sem usar fundos europeus. O ex-alto representante também ressalta que o país passa a contar com financiadores norte-americanos.

A ideia de um gasoduto envolve várias correntes políticas na Bósnia, incluindo apoio de croatas, bósnios e o líder separatista Milorad Dodik. Dodik mantém uma posição ambígua sobre a soberania da Bósnia perante a República Sérvia.

Participantes e interesses

O governo dos EUA promove a atuação de Washington como fornecedor de gás na região, buscando novos mercados. O papel exato da AAFS permanece pouco claro, com representantes próximos de Donald Trump presentes nas negociações, segundo relatos.

Ainda não há consenso sobre a designação do substituto de Schmidt. A Alemanha, a França e a Comissão Europeia apoiam o diplomata René Troccaz, enquanto os EUA apoiam Antonio Zanardi Landi. A decisão deverá ser anunciada em breve.

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