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Tamanho do urso-pardo na Ibéria caiu mais de 50% ao longo de milénios

O urso-pardo da Península Ibérica encolheu mais de 50% ao longo de milhares de anos, com pressão humana e alterações de habitat como principais fatores

Urso-pardo encolheu mais de metade em milénios, possivelmente devido ao clima
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  • Estudo com mais de 500 fósseis de seis locais portugueses mostra que o urso-pardo na Península Ibérica diminuiu o tamanho em mais de cinquenta por cento ao longo de milhares de anos.
  • Os animais do passado podiam ultrapassar os trêscentos quilos; atualmente os machos rondam os 140 quilos e as fêmeas os 100 quilos.
  • A redução de tamanho está associada à pressão humana e a mudanças de habitat; o estudo propõe um novo modelo evolutivo com diferentes populações ao longo do tempo.
  • Em Portugal, não existem evidências de outras espécies de ursos nos fósseis analisados; o urso-pardo extinguiu-se no século XIX devido à ação humana.
  • A presença do urso-pardo na Ibéria ocorreu entre 200 e 250 mil anos atrás; a adaptação a grutas pequenas pode ter ajudado a sua sobrevivência até ao Holocénico.

A redução do tamanho do urso-pardo na Península Ibérica foi superior a 50% ao longo de milhares de anos, segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa. A análise de fósseis mostra que o passado era habitualmente maior e mais robusto do que hoje.

O trabalho, que investiga a evolução da dimensão e da adaptação do urso-pardo no Plistocénico, utiliza mais de 500 fósseis de seis locais em Portugal, e contorna a incerteza sobre quando o animal chegou à região. Os fósseis indicam pesos superiores a 300 kg em alguns indivíduos.

O envelhecimento da espécie está ligado a fatores humanos e a mudanças de habitat, apontam os autores. O estudo também propõe um modelo evolutivo que identifica diferentes populações ao longo do tempo, com influências climáticas e ambientais.

Desenho do estudo e locais analisados

O estudo, publicado na Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, envolve Darío Estraviz-López e Maria Ríos, entre outros. Utiliza fósseis da Furninha (Peniche), Fontainhas (Cadaval), Serra de Molianos (Alcobaça), Caldeirão (Tomar), Escoural (Montemor-o-Novo) e Oliveira (Torres Novas).

A comparação de medidas revelou que algumas populações antigas exibiam traços semelhantes aos do urso-das-cavernas, sugerindo ocupação de nichos ecológicos parecidos na ausência do gigante extinto. Não existem evidências de outras espécies de ursos no material estudado.

Origem e impacto humano

A presença do urso-pardo na Península Ibérica ainda não é totalmente clara, mas o aparecimento situa-se entre 200 e 250 mil anos atrás. A capacidade de hibernar em grutas mais pequenas pode ter favorecido a sua sobrevida até ao Holocénico.

O urso-pardo tornou-se extinto na região no século XIX, devido à ação humana. O estudo não encontra, até ao momento, evidência de outras espécies de ursos entre os fósseis analisados. As conclusões ajudam a entender a evolução morfológica e as mudanças ambientais que contribuíram para o fenómeno.

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