- Países ricos reduziram orçamentos de ajuda ao desenvolvimento, destacando-se os Estados Unidos e a Alemanha.
- A diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Amy Pope, disse que cortes na ajuda aumentam a probabilidade de as pessoas procurarem segurança e estabilidade noutras regiões.
- O Sudão é citado como exemplo de crise de deslocados devido à guerra, com menos apoio humanitário a estimular deslocações além-fronteiras.
- Alterações climáticas intensificam migrações: milhões de pessoas deslocadas por tempestades, especialmente nas Filipinas, e risco acrescido para pequenos Estados insulares do Pacífico.
- Em meados de 2024, a OIM estimava 304 milhões de migrantes internacionais e mais de 700 milhões de migrantes internos, destacando a necessidade de apoio dentro dos países mais afetados.
OIM alerta que cortes na ajuda externa por países ricos elevam a probabilidade de deslocamentos. A diretora-geral Amy Pope falou à AFP, à margem do Fórum sobre Mobilidade Climática de Berlim, numa intervenção de quinta-feira.
Pope explicou que reduzir o apoio ao desenvolvimento empurra pessoas a buscar segurança e oportunidades mais longe das suas regiões, citando o Sudão como exemplo de crise de deslocados causada pela guerra.
Vários Estados ricos reduziram o financiamento ao desenvolvimento nos últimos anos, ao mesmo tempo que endurecem políticas migratórias e reforçam controlo de fronteiras, muitas vezes por pressões políticas internas.
Trump cortou 83% dos programas da USAID pouco depois de entrar no segundo mandato, e a agência passou a gerir menos da metade da ajuda humanitária global antes de a administração dissolver a agência em 2025, transferindo funções para o Departamento de Estado.
A Alemanha também reduziu drasticamente o orçamento de desenvolvimento, passando de perto de 14 mil milhões de euros em 2022 para pouco acima de 10 mil milhões este ano, refletindo trajetórias de austeridade entre governos europeus.
Alterações climáticas impulsionam migrações
Pope disse que as alterações climáticas têm impacto relevante nas migrações globais, com consequências diversas em regiões sensíveis ao clima, incluindo pequenos Estados insulares do Pacífico como Tuvalu.
A OIM estima que perto de 10 milhões de pessoas tenham sido deslocadas por tempestades nas Filipinas, e que secas prolongadas afetaram várias regiões de África.
A dirigente apelou aos países mais ricos, os maiores emissores de carbono, para aumentarem a ajuda humanitária e de mitigação, deixando de reagir apenas a emergências.
Segundo a OIM, em meados de 2024 a população de migrantes internacionais era de 304 milhões, com mais de 700 milhões de migrantes internos em todo o mundo.
Pope sublinhou que, numa fase inicial, as pessoas deslocam-se para áreas mais seguras dentro do próprio país, antes de considerar deslocamentos para outros países próximos.
Prestar apoio dentro das áreas afetadas revela-se muitas vezes mais barato e tem efeito estabilizador, disse, defendendo investimentos agora para evitar migrações não planeadas no futuro.
O objetivo, reforçou, é orientar políticas para o envio de ajuda que garanta estabilidade, oportunidades e autonomia para quem fica ou se desloca.
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