- John Bolton afirma à Euronews que o Irão deixou o presidente norte-americano, Donald Trump, com menos margem estratégica ao priorizar a descida do preço do petróleo.
- Segundo Bolton, Washington sacrificou a dimensão geopolítica do acordo em prol de beneficiar os mercados de energia e o preço da gasolina.
- O ex-conselheiro sustenta que o Irão obteve condições mais favoráveis sem um texto público do acordo de princípio e que várias questões-chave permanecem por esclarecer.
- Bolton afirma que o Irão tem estado consciente da posição de Trump e que o regime ficou mais fácil de explorar, mesmo com garantias iranianas de não obter armas nucleares.
- A entrevista ocorreu à margem da cimeira do G7 em Évian, onde se discute a liberdade de navegação no estreito de Ormuz e o envolvimento europeu na região.
O ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, afirma que o Irão manipulou Donald Trump nas negociações do acordo de paz, obtendo condições mais favoráveis ao perceber a vontade do inquilino da Casa Branca de encerrrar a guerra. A declaração foi feita à Euronews, à margem da cimeira do G7.
Bolton sustenta que os EUA priorizaram a descida do preço do petróleo em detrimento de uma estratégia geopolítica sólida, o que permitiu ao Irão avançar com o que pretendia no acordo de princípio. De acordo com o ex-assessor, Trump queria manter o estreito aberto e baixar a gasolina nos combustíveis.
Segundo Bolton, a ausência de um texto publicado do acordo de princípio é preocupante, pois os detalhes importam mais que os grandes anúncios. Entre as questões não esclarecidas, o programa de enriquecimento de urânio, a extensão de sanções e a reabertura do estreito de Ormuz permanecem sem definição.
Contexto e reação internacional
Bolton aponta que a liderança iraniana conseguiu prever o comportamento de Trump, mantendo-se firme na posição apesar das mudanças na liderança interna. O ex-conselheiro afirma ainda que as garantias iranianas sobre não obter armas nucleares não são confiáveis, citando falhas no cumprimento do compromisso do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
A posição de Bolton contrasta com declarações da Casa Branca de que o Irão é quem está a negociar de forma eficaz. O diplomata sugere que o Irão equilibrou as pressões econômicas com a necessidade de manter o poder, explorando a urgência de Trump por um acordo que reduza custos energéticos.
Em Évian, França, durante o G7, o presidente francês Emmanuel Macron sinalizou que a Europa está disposta a agir para assegurar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz. A Itália e outros aliados foram mencionados nos comentários de líderes europeus, enquanto os EUA indicaram disponibilidade de cooperação limitada.
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