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Capacetes azuis portugueses arriscam a vida em missões de paz

Capacetes azuis portugueses apelidados de 'Ronaldos' asseguram o recenseamento eleitoral na República Centro-Africana, com patrulhas contínuas e zero incidentes

16.ª Força Nacional Destacada na República-Centro Africana em 2025
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  • No Dia Internacional dos Capacetes Azuis, a Euronews destaca a participação de militares portugueses em missões da ONU, nomeadamente na MINUSCA, na República Centro-Africana.
  • Portugal chegou a enviar a primeira força em 2017 com uma Força de Reação Rápida, tornando-se no único país da União Europeia a integrar a missão.
  • Em 2019, o tenente-coronel Luís Gomes atuou como Oficial de Ligação; em 2025 comandou a 16.ª Força Nacional Destacada (215 militares) para assegurar o recenseamento eleitoral em Bossembélé.
  • Entre 168 patrulhas e quase 60 mil quilómetros percorridos, as tropas portuguesas foram elogiadas pela proximidade com a população e pela proteção de civis, ganhando o apelido de “Ronaldos”.
  • O contingente regressou a Portugal em 17 de junho de 2025, mantendo o compromisso com a paz e destacando-se pela ausência de incidentes no centro de recenseamento eleitoral que asseguraram.

A 29 de maio marca o Dia Internacional dos Capacetes Azuis, com a Euronews a destacar a atuação de militares portugueses em missões de paz da ONU. O tenente-coronel Luís Gomes descreve a paz como uma missão concreta, muitas vezes cumprida em ambientes de risco.

Gomes integrou a sua primeira missão em 2019, na MINUSCA para a República Centro-Africana. Portugal participa desde 2017 com uma Força de Reação Rápida, sendo o único país da UE a enviar militares nesta missão.

A vida de um Capacete Azul

A RCA é um país instável, com diversos grupos armados. O grupo Wagner atua no território a pedido do governo. O contingente português foi preparado durante seis meses para definir capacidades, efetivos e equipamentos a manter no terreno.

Em 2019, Gomes liderou a coordenação logística de uma operação que incluiu a retirada aérea de um soldado ferido. O jovem perdeu as duas pernas num acidente durante uma missão, e a equipa médica não dispunha de meios para operar a distância. O paraquedista foi transportado para um hospital em Bangui.

Os Ronaldos de Portugal

O episódio ficou conhecido entre as tropas como a referência ao desempenho dos capacetes azuis portugueses. A atuação foi descrita pelo comandante da MINUSCA como exemplar, levando à designação de “Ronaldos” pela precisão e prontidão do contingente.

16.ª Força Nacional Destacada na RCA em 2025

Em 2025, Luís Gomes comandou a 16.ª FND, com 215 militares, para acompanhar o recenseamento eleitoral em Bossembélé, Yaloké-Bossembélé. Durante três meses, realizaram 168 patrulhas e percorreram quase 60 mil quilómetros.

A proximidade com as comunidades destacou-se como elemento central da missão. Gomes afirma que o contacto com a população orienta a normalização da vida local e a construção de confiança entre civis e forças de paz.

Legado e presente

Ao regressar a Portugal, o contingente de capacetes azuis deixou uma marca reconhecida pela população local, que passou a identificar as forças portuguesas pela proximidade e pelo respeito. Gomes sustenta que o sucesso incluiu a ausência de incidentes no centro de recenseamento eleitoral onde atuaram.

Atualmente, 191 capacetes azuis portugueses integram a 18.ª FND na RCA. O ex-Presidente Marcelo Rebelo de Sousa visitou a RCA no final do mandato para reiterar o apoio às missões, acompanhado pelo ministro da Defesa Nuno Melo.

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