- O uso de drones pela Ucrânia está a redesenhar a estratégia de combate alemã e a mudança de doutrina é considerada necessária, com a 413.º Regimento RAID a sublinhar que táticas antigas já não funcionam no cenário atual.
- Na Alemanha, a chamada Zeitenwende levou a maiores investimentos na Bundeswehr, incluindo carros de combate e drones, com a brigada 45 na Lituânia a receber Leopard 2A8 e milhares de drones.
- Oficiais ucranianos dizem que não basta o número de drones; é crucial ter pilotos bem treinados, alertando para a necessidade de muitos drones kamikaze FPV e de formação contínua.
- O Ministério da Defesa alemão pretende incorporar drones na instrução militar básica ainda este ano, com a possibilidade de instrutores ucranianos treinarem militares alemães.
- Em fevereiro de 2026 foi assinado um acordo de formação que permite a participação de militares ucranianos na formação da Bundeswehr em locais como Munster e Ingolstadt, visando partilhar experiência de combate e lições da linha da frente.
A guerra de drones na Ucrânia está a redefinir a estratégia militar alemã. No centro da discussão está o impacto da doutrina de combate com veículos aéreos não tripulados, especialmente drones de ataque, na forma como a Alemanha está a mover a Bundeswehr para o século XXI. Em Berlim, especialistas têm discutido a evolução tática provocada pela evolução tecnológica desde 2022.
Segundo relatos de oficiais ucranianos, a incorporação de drones mudou a forma de travar o conflito. Dmytro Zhluktenko, cabo do Regimento RAID, afirma que a integração de sistemas não tripulados superou táticas tradicionais. A ênfase recai sobre a rapidez de aquisição de drones e na necessidade de doutrinas atualizadas para responder a cenários em constante mudança.
Alemanha adapta-se à guerra moderna?
Nos últimos quatro anos, a Alemanha acelerou investimentos na defesa para reforçar a Bundeswehr, numa viragem conhecida localmente como Zeitenwende. Planos futuros reservam espaço para o reforço de veículos de combate e para a ampliação de drones de ataque, com a meta de receber centenas de tanques Leopard 2A8 e milhares de drones até 2027.
Entretanto, quatro oficiais do Regimento RAID indicam que ainda existem obstáculos na implementação de drones na Força Aérea e no Exército alemão. A preocupação central é a preparação de pilotos treinados para operarem drones com eficiência, pois a disponibilidade de operadores qualificados é considerada insuficiente.
Cooperação entre países
Em fevereiro de 2026, um acordo entre Alemanha e Ucrânia abriu a possibilidade de formação de tropas alemãs com o apoio de instrutores ucranianos, incluindo especialistas experientes na linha da frente. Instrução ocorre em instalações militares na Alemanha, com foco em táticas, defesa contra drones e lições aprendidas no terreno.
A Ucrânia já participa na formação de operações de defesa na Alemanha, contribuindo para programas em escolas de infantaria, blindagem e engenharia, segundo autoridades. Representantes alemães destacam a importância de incorporar a experiência ucraniana para enfrentar a ameaça dos drones, tornando a instrução mais prática e alinhada com a realidade do campo de batalha.
Perspectiva estratégica
Os responsáveis pela formação na Alemanha defendem que a cooperação com veteranos ucranianos fortalece a defesa europeia e da NATO. A ideia é tornar o treino de drones uma componente essencial do treino básico das forças armadas, incorporando lições da linha da frente para aumentar a eficácia operacional.
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