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Irão cobra taxas por serviços de navegação no estreito de Ormuz

Irão cobra taxas por serviços de navegação no estreito de Ormuz, sem portagens, aumentando tensões regionais e impactos no comércio mundial

Navios de carga fundeados ao largo no estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, 4 de maio de 2026
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  • O Irão afirmou cobrar taxas por “serviços de navegação” no estreito de Ormuz, mas não portagens.
  • O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros explicou que os serviços visam proteger o ambiente e a navegação, com a cobrança prevista apenas para isso.
  • Teerão publicou um mapa que reivindica controlo regulamentar sobre parte do estreito, estendendo-se pelas águas de Emiratos Árabes Unidos e Omã, com necessidade de autorização prévia da Agência do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA).
  • Bahrein, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e Emiratos Árabes Unidos alertaram, via Organização Marítima Internacional (IMO), para não contactarem a PGSA nem utilizarem a rota definida pelo Irão.
  • A tensão no estreito persiste num contexto de bloqueio americano aos portos iranianos e de pressões sobre o comércio mundial de petróleo e gás.

O Irão anunciou que está a cobrar tarifas por serviços de navegação aos navios que atravessam o estreito de Ormuz, sem impor portagens. A informação foi divulgada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em conferência semanal.

Segundo o porta-voz Esmaeil Baqaei, as taxas aplicam-se a serviços de navegação além das medidas necessárias para proteger o ambiente e a passagem pelo estreito, pelo Golfo Pérsico e pelo mar de Omã. O objetivo, afirmou, não é cobrar portagens.

A prática ocorre num contexto de tensões regionais. Nos primeiros dias da guerra, o Irão fechou praticamente a via; em meados de abril, os EUA responderam com sanções aos portos iranianos.

Mudança de controlo sobre o estreito

Na semana passada, o Irão publicou um mapa reclamando controlo regulatório sobre parte do estreito, estendendo-se por águas territoriais dos Emiratos Árabes Unidos e de Omã. Cinco Estados do Golfo alertaram companhias de navegação para não acatar a PGSA.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), de Teerão, publicou uma definição da zona de gestão. A área vai de Kuh-e Mobarak até ao sul de Fujairah, e desde Qeshm até Umm al-Quwain, distanciando-se da soberania de outros países.

A carta conjunta, assinada por Bahrein, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e Emiratos, foi enviada à Organização Marítima Internacional (IMO) e advertiu navios para não contactarem a PGSA nem utilizarem a rota iraniana.

Repercussões internacionais

Norte-americanos e iranianos mantêm o impasse sobre o estreito, que em condições normais transporta cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás. O encerramento temporário aperta a pressão sobre a administração de Washington e sobre aliados no Golfo.

No âmbito da União Europeia, Bruxelas reviu para baixo as perspetivas de crescimento económico. A projeção para 2026 passou de 1,4% para 1,1% na UE, com a zona euro a ser ainda mais afetada, a 0,9%. O relatório alerta para impactos nos mercados energéticos.

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