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Grupos de bem-estar animal criticam proibição da carne brasileira

UE proíbe carne brasileira por uso de antimicrobianos para crescimento; a partir de 3 de setembro as importações deixam de ocorrer

Ficheiro - Gado alimenta-se num lote de engorda explorado pelo grupo Otavio Lage em Goianésia, estado de Goiás, Brasil, 13 de junho de 2025.
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  • A carne brasileira será proibida na União Europeia a partir de 3 de setembro, após voto unânime de peritos dos Estados-membros.
  • A proibição baseia-se no uso de fármacos antimicrobianos por produtores brasileiros para acelerar o crescimento dos animais.
  • Em 2025, o Brasil foi o maior exportador mundial de carne de bovino, com 3,5 milhões de toneladas; a UE importou mais de 128,9 mil toneladas, valoradas em mais de 850 milhões de euros.
  • Grupos de bem-estar animal afirmam que o problema não é apenas o uso de antimicrobianos, defendendo sistemas de produção mais humanos e com menos stress aos animais.
  • O governo brasileiro informou que vai tomar medidas para reverter a decisão, em resposta à proibição e ao acordo UE-Mercosul em vigor desde 1 de maio.

O Brasil verá a carne exportada proibida na União Europeia a partir de 3 de setembro, após um voto unânime de peritos dos Estados-membros. A decisão sustenta-se no uso de fármacos antimicrobianos para acelerar o crescimento dos animais. A UE aplicará a medida a carnes importadas do Brasil, mesmo com o acordo UE-Mercosul vigente desde 1 de maio.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de bovino, com 3,5 milhões de toneladas em 2025 e receitas de 18 mil milhões de dólares. A UE foi o quarto destino, importando 128,9 mil toneladas por mais de 850 milhões de euros, registando crescimento de 132% face a 2024.

Organizações de defesa do bem-estar animal defendem que a presença generalizada de antimicrobianos poderia ser evitada com sistemas de produção mais humanos, que reduzam o stress e permitam expressar comportamentos naturais.

A regulamentação da UE exige que qualquer produto alimentício, seja produzido internamente ou importado, cumpra as normas sanitárias e fitossanitárias, com controlo rigoroso de fármacos.

Regulamentação e riscos

A OMS aponta a resistência a antimicrobianos como uma das principais ameaças globais à saúde, com mortes associadas e custos elevados para saúde pública e economia. Na UE, a proteção do bem-estar animal também é parte do debate sobre práticas de criação.

Em resposta, o governo brasileiro anunciou que vai tomar medidas para reverter a decisão, conforme declarações conjuntas dos ministérios da Agricultura, Comércio e Relações Exteriores.

Perspetivas e impactos

Defensores do bem-estar animal veem no veto uma oportunidade para promover sistemas com menos dependência de fármacos, reduzindo riscos de resistência bacteriana. O debate envolve também a sustentabilidade e a competitividade da carne brasileira no mercado europeu.

O acordo UE-Mercosul continua em vigor, mas a UE impõe limites a importações de carne, açúcar, etanol e outros produtos, numa negociação que já provoca reação de setores agrícolas europeus.

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