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Macron propõe nova relação económica para pôr fim ao divórcio com a África

Macron anuncia 23 mil milhões de euros para África, visando relação económica de igualdade e investimentos mútuos, para pôr fim à Françafrique

O Presidente francês Emmanuel Macron e o Presidente queniano William Ruto chegam antes da cimeira "Africa Forward" na Universidade de Nairobi, Nairobi (Quénia), 11.05.26
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  • A cimeira Africa Forward realizou-se em Nairobi, nos dias 11 e 12 de maio, reunindo cerca de quarenta países africanos e França, com foco no investimento.
  • No final, o presidente francês anunciou um total de 23 mil milhões de euros para o continente, distribuídos entre empresas francesas (14 mil milhões) e africanas (9 mil milhões; 4,3 mil milhões na transição energética, 3,76 mil milhões em tecnologia digital/IA, 3,3 mil milhões na economia azul, e recursos para agricultura e saúde).
  • Pela primeira vez os debates ocorreram num país de língua inglesa, com o objetivo de criar uma nova relação França–África, afastando-se do modelo chamado Françafrique.
  • Em risco de reforçar a soberania africana, foi assinada uma investida de mais de 1 mil milhões de euros entre França e o Quénia, incluindo 700 milhões de euros para a CMA CGM, símbolo de maior cooperação econômica.
  • O contexto regional envolve a diminuição da presença militar francesa na África Ocidental e tensões com antigos parceiros, com França a tentar redesenhar laços mais igualitários e menos dependentes.

O presidente francês Emmanuel Macron apresentou uma nova abordagem para as relações França-Africa, procurando terminar o atual afastamento económico. A cimeira Africa Forward decorreu em Nairobi, Quénia, nos dias 11 e 12 de maio, reunindo cerca de quarenta países africanos e França. O objetivo é criar laços baseados em investimento mútuo, longe de abordagens tradicionais.

Entre os participantes estiveram países francófonos como Senegal, Gabão, Costa do Marfim e Ruanda, bem como anglófonos como Nigéria, Gana, Zâmbia e Botsuana. Pela primeira vez, o encontro realizou-se num país de língua inglesa. O foco incluiu juventude, desporto, cultura e negócios.

Ao encerrar a cimeira, Macron anunciou um total de 23 mil milhões de euros destinados ao continente, repartidos entre empresas francesas e africanas. Deste montante, 14 mil milhões virão de entidades francesas e 9 mil milhões de empresas africanas. Os setores prioritários são energia, tecnologia, economia azul, agricultura e saúde.

Novo enquadramento económico

A estratégia visa reforçar investimentos com base na igualdade soberana entre França e África. Macron afirmou que as relações não devem basear-se em dependência, caridade ou extração, mas em acordos vantajosos para todos. O objetivo é substituir o modelo tradicional conhecido como Françafrique.

Envolvimento africano e exemplos práticos

O presidente do Quénia, William Ruto, coorganizador, sublinhou a soberania africana. Em Nairobi, destacou que o investimento deve respeitar escolhas nacionais. No âmbito bilateral, França e Quénia assinaram, no dia 10 de maio, um acordo de investimento superior a 1 mil milhões de euros, incluindo 700 milhões para CMA CGM.

Contexto estratégico e desafios

As relações entre França e antiga colónia têm enfrentado desgaste, com redução da presença militar na África Ocidental após vários acontecimentos nos Sahel entre 2020 e 2023. Países como Mali, Burkina Faso e Níger distanciataram-se de Paris, gerando maior procura por parceiros alternativos.

Perspectivas e próximos passos

Analistas destacam a necessidade de parcerias que vão além da exploração de recursos. França observa o crescimento de atores como a China e mercados do Golfo, que oferecem esquemas de financiamento alternativos. A missão de Macron passa por consolidar uma relação de investimento e cooperação mais equilibrada.

Continuidade da agenda africana

O périplo de Macron prossegue com visitas previstas a Adis Abeba e reuniões com autoridades de África Oriental e da União Africana, incluindo o encontro com o secretário-geral da ONU. A agenda centra-se na cooperação para paz, segurança e respostas conjuntas a desafios regionais.

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