- Péter Magyar tomou posse como primeiro-ministro da Hungria, após as eleições de 12 de abril, numa altura em que o Parlamento renovou-se com 141 deputados estreantes.
- Magyar apresentou sinais de mudança: músicas inclinaram-se para o hino da União Europeia e para o hino não oficial da comunidade cigana; a bandeira da UE voltou a hasteada no Parlamento pela primeira vez desde 2014.
- No discurso, o novo chefe de Governo pediu a demissão do presidente do Parlamento, Tamás Sulyok, e manteve críticas ao anterior regime, incluindo ao ex-primeiro-ministro Viktor Orbán.
- Magyar pediu desculpas àqueles que foram prejudicados pelo governo anterior, considerando que há uma perceção pública de responsabilização penal para o ex-primeiro-ministro, segundo sondagens, com mais de dois terços a favor.
- A imprensa e a sociedade civil esperam que as vozes críticas sejam ouvidas no processo legislativo e que haja maior transparência, num contexto de receios sobre concentração de poder e pouca participação de organizações independentes nos debates.
Péter Magyar tomou posse como primeiro-ministro da Hungria, após as eleições de 12 de abril em que o seu partido, Tisza, obteve maioria esmagadora. A cerimónia ocorreu em Budapeste, sem a presença do anterior líder Viktor Orbán.
Magyar lançou sinais de mudança: música oficial com o hino húngaro, o hino da União Europeia e o hino não oficial da comunidade cigana. A bandeira europeia voltou a ser hasteada no Parlamento pela primeira vez desde 2014.
No discurso, o novo chefe do Governo apontou críticas ao antigo regime, incluindo ao Presidente Tamás Sulyok, que será alvo de pressões para demitir. A polémica envolve ainda o Ministério Público e órgãos constitucionais, com pedidos de afastamento até ao fim de maio.
Magyar pediu desculpas a quem foi lesado pelo governo anterior, nomeadamente civis, cientistas e jornalistas. O objetivo apresentado é iniciar uma reconciliação nacional, promovendo diálogo entre diferentes perspetivas.
O Parlamento, com 141 estreantes entre 199 deputados, representa uma renovação profunda do poder. A composição sugere uma nova fase institucional, com ministros que nunca ocuparam cargos governativos em funções anteriores.
Contexto político e social
Sociedade civil espera ser ouvida na formulação legislativa, especialmente em áreas sensíveis dos direitos civis e da liberdade de imprensa. Observadores destacam a proeminência de minorias e a necessidade de debates públicos mais transparentes.
Analistas lembram que o período anterior foi marcado por concentração de poder e legislação aprovada sem debate público. A imprensa estatal e associada a interesses empresariais manteve influência significativa durante o governo anterior.
Enquanto as cerimónias oficiais decorriam, largas massas reuniram-se junto ao Parlamento e às margens do Danúbio para acompanhar a passagem de poder, em clima de celebração da mudança democrática.
O foco imediato é consolidar a transição, assegurando governabilidade estável e o início de políticas que, segundo o governo, promovam responsabilidade pública sem comprometer a independência de instituições.
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