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Empresário húngaro próximo de Orbán anuncia doação de empresas ao Estado

Empresário próximo de Orbán transfere para o Estado empresas avaliadas em cerca de 220 milhões de euros, dias antes da posse do novo governo

Cartaz eleitoral do partido de Orbán numa campanha feita pela empresa de Gyula Balásy
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  • Empresário húngaro Gyula Balásy anunciou a transferência da propriedade das suas empresas, avaliadas em cerca de 220 milhões de euros, para o Estado, numa entrevista publicada no canal Kontrol, do irmão de Péter Magyar.
  • Balásy é uma figura central no círculo de Viktor Orbán e dirige empresas de comunicação, relações públicas e organização de eventos, tendo alegadamente assegurado contratos de comunicações do Estado desde 2016.
  • O site 444 afirma que Balásy geriu contratos de comunicações do Estado desde 2016 e que as suas empresas estiveram envolvidas em campanhas do Governo cessante, incluindo contra migrantes e contra a União Europeia. A Euractiv aponta mais de 960 milhões de euros em contratos públicos ligados ao seu grupo.
  • Balásy negou que os contratos tivessem preço inflacionado, assegurando não levar uma vida de luxo, embora tenha propriedades na Florida e na região de Tihany, Hungria.
  • O anúncio acontece poucos dias antes da posse do novo Governo, com comentários sobre possíveis acordos e impactos na recuperação de ativos.

O empresário húngaro Gyula Balásy, considerado influente junto do círculo próximo de Viktor Orbán, afirmou numa entrevista ter transferido a totalidade das suas empresas para o Estado. A declaração foi veiculada num canal de YouTube gerido pelo irmão de Péter Magyar, figura do futuro Governo. O conjunto de empresas está avaliado em cerca de 220 milhões de euros.

Balásy atua nos setores de comunicação, relações públicas e organização de eventos e tem tido contratos públicos desde 2016. Segundo o portal 444, o grupo geriu campanhas governamentais relevantes, incluindo ações contra migrantes, contra a União Europeia e uma iniciativa associando Péter Magyar ao presidente ucraniano. A publicação Euractiv indica que as empresas teriam faturado mais de 960 milhões de euros em contratos.

Na entrevista, Balásy disse ter assinado uma escritura pública que transfere a propriedade das empresas para o Estado. Questionado sobre eventuais irregularidades, afirmou não reconhecer falhas. Acrescentou que não vivia um estilo de vida de luxo, apesar de possuir imóveis na Florida e na região de Tihany.

Análise e reações

Um jornalista com ligações ao Partido Socialista Húngaro sugeriu que a entrevista poderá ter validade num acordo com o futuro Governo, já que Balásy realizou o anúncio num canal ligado ao irmão do futuro primeiro-ministro. O jornalista lembrou que Péter Magyar já recorreu a serviços de comunicação de uma empresa de Balásy quando este estava em outro cargo.

O novo Executivo reconhece a prioridade de mostrar resultados na recuperação de ativos. Balásy figura entre opções consideradas para esse objetivo, segundo análises políticas. A conferência de imprensa e a natureza da transferência geram perguntas sobre o impacto institucional no curto prazo.

Péter Magyar, por seu lado, pediu às autoridades que suspendam transferências de recursos associadas ao Governo cessante e criem medidas de congelamento de fundos para evitar saídas de ativos ligados a suspeitas de corrupção. A defesa da eventual extradição para a Hungria permanece sob avaliação pelas autoridades competentes.

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