- O Governo britânico interrompeu o processo legislativo para ceder a soberania das ilhas Chagos à Maurícia, após Donald Trump recuar na aprovação do acordo.
- O acordo, assinado em maio de 2025, previa que Diego Garcia continuaria a ser utilizado pelos dois países num arrendamento de noventa e nove anos, com a soberania a passar para Maurícia.
- A deterioração das relações Reino Unido–Estados Unidos e as recuas de Trump atrasaram o processo, que já tinha começado em dois mil e dois e recebeu apoio inicial dos EUA sob a administração Biden.
- Em janeiro, Trump chamou o Reino Unido de fraco; em fevereiro, disse que o acordo era um “grande erro”, o que complicou a obtenção do visto político para avançar com a transferência.
- O Governo britânico afirmou que o acordo não está abandonado, mas não será discutido na próxima agenda parlamentar por falta de tempo, mantendo Diego Garcia como ativo militar estratégico para ambos os países.
O Governo do Reino Unido anunciou a suspensão, neste fim de semana, do processo legislativo para transferir a soberania das Ilhas Chagos à Maurícia. Diego Garcia, base militar estratégica, permanece sob controlo britânico temporariamente.
A decisão surge após Donald Trump recuar na aprovação do acordo com Maurícia. O tratado requer a concordância dos EUA, que mudou de posição ao longo de 2025 e 2026.
O acordo, assinado em maio de 2025, previa que a soberania passaria para a Maurícia, mantendo a base de Diego Garcia num regime de arrendamento de 99 anos. O timing depende de Washington.
As mudanças nas relações entre Londres e Washington contribuíram para o atraso. O Governo britânico afirma não ter abandonado o acordo, apenas não o incluir na agenda parlamentar atual.
A deterioração das relações também esteve ligada a divergências sobre o uso de bases britânicas por operações militares dos EUA. Keir Starmer recusou acordos que autorizassem intervenções na região.
Desdobramentos
A gestão do processo envolve ainda a necessidade de formalização de cartas entre os dois países para modificar o tratado de 1966. Sem esse passo, o acordo não avança no parlamento britânico.
Um porta-voz do Governo britânico destacou a importância estratégica de Diego Garcia para ambos os aliados, enfatizando a prioridade da segurança operacional a longo prazo.
No Reino Unido, críticas ao acordo ganharam força entre os principais partidos, com posições distintas sobre o eventual cedência de soberania e a manutenção da base militar.
A imprensa britânica cita cobranças internas e externas como fator determinante para o novo vaivém político. O Governo mantém a posição de tentar influenciar Trump a reconsiderar a posição.
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