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UE pondera veto ou recomeço cauteloso frente a Orbán

Às urnas na Hungria, Bruxelas prepara-se para dois cenários: veto prolongado de Orbán ou reconciliação cautelosa com a UE, com fundos em risco

Pessoas caminham ao lado de um cartaz de campanha que diz: "Eles são um risco. O Fidesz é a escolha segura" em Budapeste, Hungria, no sábado, 14 de março de 2026, antes das eleições legislativas de 12 de abril.
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  • A UE prepara-se para dois cenários após as eleições na Hungria: continuação do bloqueio com Viktor Orbán ou vitória de Péter Magyar, com reacções cautelosas de Bruxelas.
  • Orbán tem histórico de veto e, em março, bloqueou um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia. A UE teme agravamento de tensões se vencer.
  • Magyar, líder do partido Tisza, lidera nas sondagens, prometendo restaurar laços com a UE e a NATO, mas não é liberal pró-europeu clássico.
  • Se Orbán ganhar, prevê-se mais vetos, possível contorno da Hungria em negociações com a Ucrânia e maior fratura com Bruxelas.
  • Se Magyar vencer, o otimismo é cauteloso: prioridade é desbloquear fundos da UE, com 17 mil milhões de euros ainda bloqueados num total de 27 mil milhões, podendo avançar passos como adesão à Procuradoria Europeia.

Com as urnas a abrir no domingo na Hungria, a UE prepara-se para dois cenários: uma continuação do veto de Orbán ou uma vitória de Magyar, que poderia abrir portas para uma reaproximação. Bruxelas mantém cautela em relação a ambos os extremos.

A tónica continua a ser a influência de Viktor Orbán no processo decisório da UE, com o primeiro-ministro húngaro a usar, com frequência, o veto a custos elevados para condicioná-la. Em março, bloqueou um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia por litígios relacionados com o oleoduto Druzhba.

Magyar, fundador do partido Tisza há dois anos, promete restaurar laços com a UE e com a NATO, uma mensagem que encontra receptividade entre os responsáveis comunitários. O Tisza lidera as sondagens, à frente do partido de Orbán, o Fidesz, embora Magyar não seja liberal no sentido clássico.

Diplomatas da UE destacam que a campanha está a ser observada de perto e que uma avaliação completa dependerá dos resultados de domingo. Do lado de Budapeste, o Fidesz cita margens de erro e mobilização para explicar eventuais vitórias, sublinhando que as sondagens pouco refletem o terreno.

Se Orbán vencer, espera-se um agravamento das tensões com Bruxelas. Um diplomata admite que um acordo financeiro com a Ucrânia pode tornar-se difícil, com a UE a ter de contornar a Hungria e a Eslováquia. A abertura de capítulos de adesão pode permanecer bloqueada por unanimidade.

A possibilidade de uma vitória de Orbán também é vista como potencialmente radicalizante na arena europeia, com a ideia de reforçar a aliança de direita radical. Alguns analistas receiam que a vitória aumente a dependência de parcerias com a Rússia e com a administração norte-americana atual.

Se Magyar vencer, o otimismo é cauteloso em Bruxelas. A prioridade imediata será desbloquear fundos comunitários congelados, estimados em 27 mil milhões de euros, dos quais 17 mil milhões podem ficar disponíveis rapidamente mediante alterações legislativas.

Para já, a adesão de Budapeste à Procuradoria Europeia surge como caminho provável para aceder a fundos de coesão, sem grandes deliberações políticas. Contudo, persiste o risco de perder valores por prazos no Fundo de Recuperação da UE, com prazos a exigir prorrogações.

Cerca de 2 mil milhões de euros permanecem bloqueados por questões de Estado de direito e de combate à corrupção. Bruxelas teme que uma mudança de governo possa acelerar a reabilitação do financiamento, desde que haja vontade política e alterações legais.

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