- Dez anos depois do referendo, dois grandes estudos (Allianz Research e Deutsche Bank) apontam que os cenários de desastre e de benefício do Brexit foram superados pela realidade, destacando resiliência económica mas com recuperações limitadas.
- O anúncio coincide com a demissão de Sir Keir Starmer, abrindo caminho a uma nova liderança no Reino Unido, com Andy Burnham a surgir como provável próximo primeiro-ministro.
- Economicamente, o Brexit não levou a uma recessão imediata nem a uma recuperação abrupta; o PIB poderá ficar entre dois e quatro por cento abaixo do que seria previsto sem o Brexit, segundo a Allianz, e o Deutsche Bank aponta produção cerca de quatro por cento mais baixa.
- A mobilidade da libra provocou inflação associada e um desempenho desigual: o emprego tem mostrado resiliência, com desemprego a rondar quatro por cento nos dois anos após o referendo, e o comércio externo sofreu quedas no comércio com a UE.
- Os bancos destacam ganhos setoriais (serviços financeiros e inovação) com maior autonomia regulatória, e apontam que haverá potencial de melhoria no acordo com a UE, mas as perspetivas políticas para inverter o rumo são limitadas.
O Reino Unido celebra dez anos desde o referendo do Brexit e analisa custos e benefícios, enquanto procura um novo líder. Dois estudos recentes, da Allianz Research e do Deutsche Bank, apontam que o cenário de desastre foi exagerado, assim como os benefícios.
Na véspera do aniversário, Sir Keir Starmer demitiu-se, abrindo caminho a uma nova liderança. A saída segue-se a um debilitante declínio de apoio ao Labour e à ascensão de Reform UK, com o provável substituto a ser Andy Burnham. Instabilidade política é um legado do Brexit.
Estabilidade económica sob escrutínio
Apesar de previsões catastróficas não se terem materializado, o Brexit deixou danos reais, segundo os relatórios. A libra caiu, alimentando inflação, com impactos ainda por recuperar. Contudo, a economia manteve crescimento e o desemprego desceu nos primeiros anos.
Impacto no PIB e no comércio
O Deutsche Bank estima que a produção está cerca de 4 % abaixo do potencial, com emprego 2 % menor e inflação nos consumidores perto de 0,7 % acima do cenário sem Brexit. Já a Allianz aponta desvio do PIB entre 2 % e 4 % e prejuízos no comércio.
Comércio, investimento e serviços
Ambos destacam quedas no comércio com a UE, mas o setor de serviços manteve impulso, com o Reino Unido a exportar mais serviços financeiros e TIC para a UE. Londres continuou a manter significativa atividade nos mercados globais de derivados.
Benefícios e oportunidades futuras
O Deutsche Bank sugere ganhos com maior regulação autónoma em ciências da vida e IA, além de balança com menor contribuição para o orçamento comum da UE. A Allianz identifica pressão de custos, energia cara e subinvestimento como questões centrais.
Olhar para o futuro próximo
Para o BCE de Berlim, há espaço para melhoria na cooperação com a UE em normas alimentares, qualificação profissional e mobilidade jovem, o que poderia elevar o PIB entre 0,4 % e 0,8 % nos próximos dez anos. As diferenças de leitura refletem abordagens distintas.
Perspetivas políticas e o debate em curso
Apesar do empate de visões, a vontade política de reaproximação com a UE permanece limitada. As sondagens indicam algumas aberturas, mas nenhum grande partido aponta um caminho claro de reversão. O aniversário acena mais para um debate aberto do que para um veredito definitivo.
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