- Um estudo da Allianz Trade, no décimo aniversário do Brexit, aponta que o Reino Unido não sofreu nem colapso nem renascimento, mantendo-se competitivo na economia do conhecimento, tecnologia e energia limpa, com um impacto estimado de 2 a 4 por cento no PIB.
- O relatório diz que a instabilidade política e atritos comerciais contribuíram para perdas de PIB entre 2 e 4 por cento face a um cenário sem Brexit, e que regiões que votaram pela saída tiveram desempenho geralmente inferior à média nacional.
- Desde 2016, o crescimento tem dependido mais de trabalhadores estrangeiros, impulsionando mais de metade da expansão do PIB.
- O comércio de bens com a União Europeia é cerca de 21 por cento inferior ao que seria sem Brexit, apesar de a UE continuar a ser o maior parceiro comercial do Reino Unido; os novos acordos não compensaram plenamente a rede de laços anteriores.
- No sector financeiro, o Reino Unido continua a ser um dos principais polos globais, com forte peso de capital de risco, e as exportações de tecnologias da informação e comunicação para a UE quase duplicaram desde o Brexit; na energia limpa, a produção eólica cresceu 130 por cento desde 2016.
A Allianz Trade tem apresentado um panorama dividido sobre o Brexit. No decurso de 10 anos desde a saída do Reino Unido da União Europeia, o estudo Ten Years After Brexit: Resilience Without Revival indica que o país não registou nem colapso nem renascimento económicos. O PIB deverá ficar 2% a 4% abaixo do que seria provável sem instabilidade comercial e política.
O relatório aponta que o desempenho varia conforme a região. Regiões que votaram pela saída tendem a apresentar resultados inferiores à média do país, com 59% da população dessas áreas a ver rendimentos per capita abaixo da média nacional.
Desde a formalização do Brexit, a 1 de janeiro de 2021, o crescimento económico passou a depender mais de mão de obra estrangeira, contribuindo com mais de metade da expansão do PIB, segundo o estudo.
Impactos no comércio
O Brexit aumentou atritos e reduziu fluxos comerciais. A UE permanece o maior parceiro, mas o comércio de bens com o bloco está hoje cerca de 21% abaixo do cenário sem saída.
Acordos e cadeias de abastecimento
Novos acordos com os EUA, China e países da Commonwealth não consigo igualar a escala dos laços com a UE. Os ativos do Reino Unido mantêm-se com desconto face aos homólogos internacionais, aponta a análise.
Motor económico: conhecimento e energia
Os sectores de conhecimento, tecnologia e energia limpa mantêm-se como motor económico. Exportações de TIC para a UE quase duplicaram desde o Brexit, evidenciando a competitividade do setor britânico.
Finanças e investimento
O Reino Unido continua a ser o segundo maior exportador mundial de serviços financeiros, com 21% das exportações globais. O país tem aprofundado a oferta de serviços à UE e atrai investimento em private equity, com 164 mil milhões de dólares entre 2020 e 2026.
Londres manteve grande parte da sua relevância financeira global. O estudo indica ainda que representa quase 50% da negociação de derivados de taxas de juro no balcão e perto de 38% do volume de negócios globais em câmbios.
Energia limpa e transição
Na energia limpa, o Reino Unido emergiu como líder europeu, com a produção eólica a crescer 130% desde 2016. A redução de dependência de fósseis e a eliminação do carvão em 2024 foram passos relevantes.
Conclusões do estudo
Mesmo com bons resultados em criação de empresas, flexibilidade laboral, ensino superior e investigação, os estrangulamentos internos — não causados diretamente pelo Brexit — explicam parte do desempenho de crescimento mais fraco, segundo a Allianz Trade.
Os autores destacam ainda que o ambiente macroeconómico e as políticas internas influenciaram o saldo final, com impactos variáveis por setor e região.
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