- PME devem encarar a sustentabilidade como competitividade, não apenas como ambiente; facilita a adaptação a mudanças, crises e evolução tecnológica.
- A sustentabilidade ajuda as empresas a equilibrar necessidades imediatas com preparar o futuro, incluindo resposta a crises energéticas e proteção de negócios.
- Gestão de risco e sustentabilidade caminham juntas: prever e mitigar riscos torna os negócios mais resilientes em contextos voláteis.
- A inteligência artificial oferece oportunidades e desafios: pode abrir novas funções e exigir reinvenção, com período de adaptação.
- A burocracia regulatória é um obstáculo; o objetivo é integrar a sustentabilidade na gestão, tornando-a parte natural do dia a dia das empresas.
As PME começam o dia com prioridades próprias: salários, encomendas, custos e clientes. A sustentabilidade ganha relevância como forma de tornar os negócios mais resistentes e preparados para o futuro, dizem especialistas convidos de uma conversa promovida pela Sábado e pelo CM.
Gonçalo Salazar Leite, gestor e professor, e Joana Pina Pereira, administradora da Generali Tranquilidade, apresentaram a ideia de que sustentabilidade não é apenas ambiental. Para ambos, funciona como fator de competitividade, capacidade de adaptação e mitigação de riscos.
A conversa decorreu no âmbito do SME EnterPRIZE, prémio europeu para PME, com moderação de João Maia Abreu. Os participantes defenderam tratar a sustentabilidade como oportunidade, não como custo, porque potencia a resiliência empresarial.
Sustentabilidade além do ambiente
Salazar Leite sublinhou que a palavra sustentabilidade tem sido usada de forma extensa e muitas vezes ligada a normas. Para ele, o foco deve abrir-se à competitividade e à gestão de riscos, integrando-se na estratégia empresarial.
Pina Pereira reforçou que as PME enfrentam diariamente desafios de sobrevivência, mas não podem ficar agarradas aos problemas imediatos. A sustentabilidade envolve antecipação, prevenção e adaptação a crises e mudanças tecnológicas.
Sustentabilidade e gestão de risco
O duo vincou que gerir riscos e ganhar sustentabilidade caminham juntos. Leite explicou que prever necessidades futuras facilita reagir a crises, captar eficácias operacionais e cumprir exigências regulatórias.
Pina Pereira exemplificou seguros como instrumento de proteção da atividade económica, pessoas e património, contribuindo para a estabilidade das empresas perante cenários adversos.
Tecnologias disruptivas e preparação
Quanto à inteligência artificial, as intervenientes mostraram visões diferentes, mas complementares. Pereira vê progresso tecnológico como oportunidade de reinvenção, ainda que haja período de adaptação.
Leite mostrou cautela sobre as consequências, defendendo que a prioridade é preparar pessoas para novas funções, evitando destruição líquida de empregos.
Barreiras regulatórias e caminho futuro
Os especialistas apontaram a crescente burocracia como entrave à sustentabilidade. Leite alertou para o risco de transformar a sustentabilidade num mero relatório e pediu integração na gestão diária das empresas.
Pina Pereira frisou que a sustentabilidade deverá deixar de ser tema separado, tornando-se parte da gestão comum das organizações.
Conclusão prevista pelo tom da conversa
Apesar dos obstáculos, os participantes destacaram a capacidade de adaptação dos empresários portugueses. A mensagem é simples: a sustentabilidade ajuda a crescer, inovar e reduzir riscos, equilibrando fim do mês com o fim do mundo.
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