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Mercados de capitais precisam de união para o euro ser reserva, diz Lagarde

Lagarde apela à conclusão da união dos mercados de capitais para fortalecer o euro como reserva global, em meio à instabilidade geopolítica e avanços nos pagamentos

FOTO AP
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  • A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou em Bruxelas que o euro não se tornará moeda de reserva global de um dia para o outro e pediu a conclusão da união dos mercados de capitais.
  • A UE enfrenta três grandes desafios: reduzir a dependência da infraestrutura de pagamentos dos Estados Unidos, concluir reformas da UE e tornar o euro globalmente mais competitivo; dados do BCE indicam que Visa e Mastercard representam 61% dos pagamentos com cartão na zona euro.
  • Para responder a estes desafios, a UE está a promover o euro digital, cuja legislação se espera aprovar até ao final de 2026, com uma votação crucial no Parlamento Europeu na terça-feira.
  • O BCE apresentou uma nova estratégia de pagamentos, com duas infraestruturas de rede, Pontes e Appia, para acompanhar tecnologias emergentes como tokenização e registo distribuído (DLT), assegurando ao dinheiro de banco central um papel neste ecossistema.
  • O debate ocorre num contexto de crescimento das stablecoins privadas; os Estados Unidos avançam com uma moldura regulatória (GENIUS) para estas criptomoedas, enquanto a UE também estuda emitir mais stablecoins denominadas em euros para ampliar o papel internacional do euro.

Christine Lagarde destacou em Bruxelas que a união profunda dos mercados de capitais é o passo essencial para transformar o euro numa reserva global, numa altura de instabilidade geopolítica. A presidente do BCE pediu aos legisladores que avancem com a integração financeira europeia.

A dirigente enfatizou que o euro não se tornará uma moeda de reserva de um dia para o outro. Reforçou a ideia de que a Europa precisa, primeiro, estar capaz de se defender financeiramente e ter poder de resiliência para competir com outras economias.

A aposta europeia inclui a adoção de um euro digital, apresentado como complemento às notas existentes. A legislação está prevista para ser votada até ao final de 2026, com uma fase decisiva no Parlamento Europeu na próxima terça-feira.

Estrutura de pagamentos e infraestruturas

O BCE apresentou, no fim de março, uma nova estratégia para pagamentos com duas infraestruturas de rede, apelidadas de Pontes e Appia. Estas plataformas visam acompanhar tecnologias emergentes como a tokenização e a registo distribuído (DLT).

Lagarde sublinhou que o objetivo é ancorar o dinheiro de banco central neste ecossistema moderno, assegurando que o ecossistema de pagamentos europeus continua estável e compatível com inovações.

Além disso, a prioridade é avançar com as infraestruturas, com o euro digital; a reforma dos mercados de capitais também é vista como fundamental para aumentar a competitividade internacional da moeda.

Contexto internacional e criptomoedas

A UE procura respostas face ao crescimento de stablecoins emitidas por entidades privadas, que ganham espaço no setor de pagamentos. A estratégia do BCE assume uma maior integração de novas tecnologias ao serviço das transações.

Enquanto a Rússia e a China avançam com moedas digitais públicas, os Estados Unidos optaram por uma abordagem diferente, com planos limitados para um dólar digital e foco em stablecoins reguladas.

Nos EUA, a legislação GENIUS cria um enquadramento para as stablecoins, visando estruturar estas ativos digitais no âmbito financeiro. O objetivo é reforçar a posição do dólar em operações internacionais, conforme relatos do setor.

Propostas para o euro e o papel internacional

Entre as medidas para reforçar o peso internacional do euro, o BCE inclui o desenvolvimento de mais stablecoins denominadas em euros, segundo um documento da Comissão Europeia ao qual a Euronews teve acesso. A ideia é ampliar opções de pagamento em moedas diferentes do dólar.

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