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Capital não é dinheiro, é permissão: empreendedoras debatem o futuro

Apesar de liderarem negócios mais lucrativos, mulheres recebem menos de 3% do capital de risco global; debate em Aveiro vinca que capital é permissão, não só dinheiro

Lideranças femininas debatem o futuro do empreendedorismo feito por mulheres
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  • Em Aveiro, empreendedoras brasileiras e internacionais discutiram os desafios de negócios liderados por mulheres e a necessidade de mudança, num debate da NovaNext.
  • Globalmente, menos de três por cento do capital de risco vai para startups lideradas por mulheres; na Europa, doze por cento em dois anos consecutivos (2023-2024). Em Portugal, estimativa aponta para pouco mais de cinquenta milhões de euros destinados a fundadoras, com base no levantamento europeu.
  • No Brasil, cerca de 19,7% dos fundadores são mulheres e apenas 12% do capital de risco é para esses negócios; o financiamento também é limitado pelo baixo peso das mulheres em fundos de investimento, com menos de 5% dos fundos geridos por mulheres.
  • AFinanceira mostra que, embora haja rentabilidade superior em startups lideradas por mulheres, o acesso a grandes créditos continua dificultado, com juros altos em regiões mais vulneráveis e barreiras na porta de entrada do dinheiro.
  • A executiva Thaiane Maciel enfatizou que capital é, acima de tudo, permissão para que mulheres decidam para onde investir, não apenas dinheiro; a necessidade é de investimento real em escala e liderança feminina nas decisões.

Em Aveiro, empreendedoras brasileiras e internacionais debateram os obstáculos enfrentados por negócios liderados por mulheres e as barreiras à prosperidade sustentável. O debate integrou a cúpula NovaNext, que reuniu cerca de mil participantes entre investidores e fundadores. O tema central foi a relação entre capital e liderança feminina.

Intitulada What’s Next for Women in Entrepreneurship, a sessão contou com a moderação de Joana Martins e four panelistas: Thaiane Maciel, Millena Araújo, Marleen Evertsz e Mayara Marinov. O painel mostrou distintas perspetivas geográficas sobre o acesso a recursos, políticas de investimento e cultura empresarial.

Segundo Millena Araújo, CEO da Inteligência Educacional, menos de 3% do capital de risco mundial é dirigido a startups lideradas por mulheres. A observação ressalta que o problema não é a capacidade, mas a posição estrutural do capital no ecossistema.

Dados de referência reforçam o diagnóstico. Na Europa, 12% do capital de startups em 2024 destinou-se a empresas com mulheres à frente; em 2023 foi igual, 2020 registou apenas 2 pontos percentuais a mais. Em Portugal não há série específica, mas os números nacionais indicam volatilidade semelhante.

No Brasil, a participação feminina entre fundadores de startups é de cerca de 19,7%, com apenas 12% do capital de risco investido. Na América Latina, negócios com liderança feminina receberam 18% do funding em rodadas acima de 1 milhão de dólares, segundo a LAVCA. Nos EUA, a fatia de investimento em startups lideradas apenas por mulheres ronda 1,1% em 2025.

Marleen Evertsz, CEO da Nxchange, destacou a importância de uma percepção realista: o desafio não é apenas obter investimento, mas assegurar que o dinheiro seja dirigido de forma que permita a liderança feminina. Maciel reforçou a ideia de capital como permissão para agir, não apenas como recurso simbólico.

Realidade brasileira: o GEM 2024 aponta que 46,8% dos empreendedores iniciais são femininos, recuperando margens após quedas anteriores. Em 2025, mais de 2 milhões de novos negócios foram criados sob gestão de mulheres, com o Rio de Janeiro liderando entre os estados. Ainda assim, o crédito permanece desproporcional.

Dados do Banco Central, citados pelo Sebrae, indicam que apenas 29,4% do crédito total beneficiou empresas lideradas por mulheres, com as micro e pequenas empresas chefiadas por mulheres correspondendo a cerca de 30% do total de concessões. A falta de crédito persiste, com juros que em regiões vulneráveis podem ultrapassar 60% ao ano.

A nível global, a IFC estima que micro, pequenas e médias empresas lideradas por mulheres representam um terço dessas firmas nos países em desenvolvimento, mas enfrentam um déficit de financiamento de aproximadamente 1,7 trilhão de dólares. A projeção do Banco Mundial aponta ganhos de até 6 triliões de dólares se o ritmo feminino igualasse o dos homens.

A discussão reforçou que a escassez de capital não resulta apenas do desempenho, pois estudos indicam retorno médio superior em negócios liderados por mulheres. Contudo, a dimensão de financiamento disponível continua insuficiente para apoiar a escalabilidade necessária.

Realidades locais, globais: o painel evidenciou que a presença de mulheres em posições decisórias na gestão de fundos de investimento ainda é baixa. Em parte, isso explica por que as grandes linhas de crédito raramente atendem o dinamismo de startups lideradas por mulheres.

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