- Preços das casas duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, com maior valorização na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal.
- Em Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, o valor mediano por metro quadrado subiu acima de 200% no período analisado.
- O valor mediano das rendas por metro quadrado duplicou em 23 municípios entre 2017 e 2024, destacando Grândola, Sines e Moita com variações superiores a 125%.
- O estudo aponta que o incremento imobiliário foi mais intenso onde os preços de aquisição eram relativamente baixos face às rendas, refletindo procura por municípios mais acessíveis nas áreas de Lisboa e Porto; no Algarve as variações foram menores.
- As perspetivas de consumo para habitação em 12 meses apontam um aumento médio de 7% em Portugal (jan-mar 2026), com heterogeneidade por faixa etária e regiões, sendo Norte e Área Metropolitana de Lisboa as mais optimistas.
Os preços da habitação duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, segundo o Banco de Portugal. O estudo “Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas” foi divulgado no Boletim Económico de junho de 2026. Os aumentos mais expressivos ocorreram na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal.
Em Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, o valor mediano por metro quadrado das casas vendidas subiu acima de 200% no período analisado. Paralelamente, o valor mediano das rendas por m2 duplicou em 23 municípios, com variações superiores a 125% entre 2017 e 2024, destacando Grândola, Sines e Moita.
A redução de impostos, a procura por habitação mais acessível e a dinâmica entre oferta e rendas ajudam a explicar o movimento. Os autores destacam que a procura se deslocou para municípios relativamente mais acessíveis em áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Variações regionais e rendas
O Algarve manteve rácios preço-renda acima da média nacional, mas com variações menores no período. O estudo aponta que o crescimento imobiliário é mais intenso onde os preços de aquisição eram mais baixos face às rendas praticadas nesses locais.
Entre janeiro de 2026 e março de 2026, as perspetivas para Portugal apontavam um aumento médio de 7% nos preços de habitação, face a 3,7% na zona euro. Jovens (18-34) esperam crescimento médio de 4%, enquanto quem tem entre 55 e 70 anos antevêem 6,3%.
Perspetivas de consumo e crédito
As expectativas regionais apontam maiores aumentos na Norte (6,8%) e na Área Metropolitana de Lisboa (6,6%). O peso do crédito nas transações manteve-se abaixo de 60% nos últimos anos, com reforço recente devido à descida de taxas e a regimes de garantia estatal para jovens.
Os autores identificam limitações estatísticas para avaliar procura e oferta por faixa de preço, evolução de preferências, custos de construção e condições de concorrência no setor. A pesquisa reforça a necessidade de dados mais robustos para avaliar o mercado habitacional.
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