- O DIW reduziu para 0,5% a previsão de crescimento da Alemanha este ano, citando o choque dos preços da energia.
- A recuperação econômica continua fraca, com famílias a perder poder de compra e as empresas a manterem cautela; o crescimento fica sustentado sobretudo pelo gasto público.
- Despesas de defesa e fundos especiais para infraestruturas ajudam a manter um ligeiro crescimento nos próximos dois anos, mas não compensam completamente o recuo conjuntural.
- Existem problemas estruturais: indústria menos competitiva, custos de produção elevados e alterações demográficas que limitam o potencial de crescimento.
- A situação externa mostra os Estados Unidos a manterem crescimento acima de dois por cento, enquanto a zona euro enfrenta dinamismo menor, com a dependência europeia de energia a pesar na economia.
O Instituto Alemão de Investigação Económica (DIW) reduziu pela metade a previsão de crescimento da Alemanha para este ano, para 0,5%. O choque dos preços da energia está a travar a recuperação económica, principalmente na primavera.
Apesar do abrandamento, o DIW sustenta que o consumo privado continua a sustentar, pelo menos parcialmente, a atividade. A economia ainda beneficia de um aumento da despesa pública, nomeadamente com defesa e com fundos especiais para infraestruturas e neutralidade climática.
Desempenho económico e energia
Segundo o DIW, o aprovisionamento energético está mais estável do que em 2022/23 e a dependência de combustíveis fósseis é menor. Ainda assim, a subida de preços pressiona famílias e empresas, levando a uma procura mais contida.
A instituição destaca que o crescimento este ano depende sobretudo do sector público, com o investimento público a oferecer impulso. O consumo privado surge como pilar, ainda que menos robusto que no passado recente.
Fatores estruturais e contexto internacional
O DIW aponta problemas estruturais, especialmente na indústria, onde a competitividade veio a diminuir. Custos de produção elevados e alterações demográficas limitam o potencial de retoma rápida, mesmo com o contexto geopolítico atual.
Globalmente, os Estados Unidos deverão manter taxas de crescimento acima de 2%, beneficiando da produção de energia. A zona euro deverá registar crescimento mais fraco, devido à dependência de importações energéticas e a choques de preços.
Perspectivas orçamentais e diálogo social
A política orçamental expansionista atua mais na contenção da inflação do que na recuperação do crescimento. Os impactos sobre o custo de vida incluem energia, aquecimento, eletricidade e mobilidade, reduzindo o rendimento disponível para o consumo.
O DIW sublinha a necessidade de execução rápida dos fundos especiais para infraestruturas, para além de financiar apenas investimentos já planeados. O governo mantém o consumo como motor da economia, mas essa leitura é contestada pela instituição.
Paralelo público-privado e próximos passos
O DIW lembra que a evolução do emprego está a mudar, com menos empregos na indústria e no comércio, e ligeiro aumento na administração pública. A transição para o setor de serviços é visível, mas o total de pessoas ativas mantém-se em queda.
Patronato, sindicatos e a coligação governamental reúnem-se na chancelaria para discutir reformas, com análises sobre os fatores que explicam a fraqueza estrutural do crescimento na Alemanha.
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