- Em abril, 85% dos novos empréstimentos foram em taxa mista, a mais alta de sempre; as taxas variáveis representaram 13,92% e as fixas 1,57%.
- Na carteira total, a fatia de créditos indexados à Euribor caiu para 49,49%, enquanto as taxas mistas subiram para 45,42% e as fixas ficaram em 5,09%.
- Desde dezembro de 2021, a Euribor deixou de dominar a carteira (era 90,17% nessa altura) e as taxas mistas passaram a ser predominantes.
- O valor total de novos créditos em abril foi de 2,988 mil milhões de euros, com habitação a 2.053 mil milhões e consumo a 657 mil milhões.
- O custo médio dos novos contratos subiu, com a soma de taxas mistas a 2,74% e taxas variáveis a 2,80%, refletindo o aumentoTe da taxa média na zona euro (3,43%); em Portugal, a posição manteve-se entre as mais baixas da área.
Em abril, a carteira de crédito à habitação de Portugal viveu uma mudança profunda: a participação de taxas mistas atingiu 45,42% e tornou-se a maior já registada, enquanto a Euribor caiu para 49,49% pela primeira vez. A taxa fixa permaneceu em 5,09%.
A evolução acompanha o peso crescente das taxas mistas desde 2022, impulsionado pela subida inicial da Euribor em 2022-2023 e as descidas em 2024 que não anulam totalmente o efeito. O montante de novos empréstimos em abril ajudou a consolidar este regime.
No conjunto, abril registou o peso de novos contratos a taxas mistas em 85%, o valor mais alto de sempre, com 13,92% para taxas variáveis e 1,57% para taxas fixas ao longo de todo o contrato. O mercado cita a subida dos preços dos imóveis como factor contributivo.
O BdP aponta ainda que, em abril, a diferença entre taxas variáveis e mistas ficou reduzida, 0,22 pontos percentuais, devido à estabilidade das primeiras e ao crescimento das segundas. A perspectiva de aumento de juros pelo BCE pode reforçar a preferência por taxas mistas.
Para o conjunto de novos empréstimos, o montante totalizou 2988 milhões de euros em abril, menos 336 milhões face a março. Habitação recuou 203 milhões, para 2053 milhões, enquanto consumo desceu 78 milhões, para 657 milhões, e outros fins recuaram 55 milhões, para 278 milhões.
A taxa média dos novos contratos de crédito à habitação subiu levemente, 0,05 pontos percentuais, para 2,96%. Taxas mistas subiram 0,03 pontos percentuais, para 2,74%, enquanto variáveis cresceram 0,14 pontos percentuais, para 2,80%. Nos renegociados, a taxa média subiu 0,01, para 2,86%.
Nos dados da zona euro, a taxa de juro média de novas operações aumentou 0,08 pontos percentuais, para 3,43%. Portugal manteve-se com a quarta taxa de juro mais baixa entre os países da área, repetindo a posição de mês anterior.
Este movimento representa uma transição estrutural da carteira de crédito à habitação portuguesa, com impacto na forma como os contratos são concluídos, renegociados e geridos ao longo do tempo. A tendência aponta para maior participação de taxas mistas nos próximos meses.
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