- No Encontro Fora da Caixa, em Almeirim, destacou-se a importância da eletrificação e de energias renováveis para um futuro mais sustentável, destacando a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
- Paulo Moita de Macedo sublinhou que a bolha da inteligência artificial envolve grandes investimentos, principalmente nos Estados Unidos e na China, financiados por grandes empresas cotadas e por capital de mercado.
- A geopolítica e as cadeias de abastecimento ganham peso, com a produção em nearshoring a surgir para reduzir distâncias e custos, o que pode pressionar a inflação de forma estrutural.
- Cristina Brízido apontou que, apesar de choques geopolíticos, o mercado de capitais pode ter quedas rápidas em momentos disruptivos, seguidas de recuperação, com os índices globais a valorizarem‑se depois de alguns meses.
- Exemplo de sustentabilidade empresarial: a Hovione reforçou práticas rigorosas, com eco‑labeling e participação de cerca de 2.600 trabalhadores, e 10% dos produtos aprovados pelo FDA em 2025 passaram pelas suas fábricas.
Foi em Almeirim, no Cine-Teatro, que o Encontro Fora da Caixa abriu o ciclo de debates sobre sustentabilidade. O evento distinguiu as empresas vencedoras da 3.ª edição dos Prémios Caixa ESG, com foco em eficiência e futuro sustentável.
Paulo Moita de Macedo, presidente-executivo da Caixa Geral de Depósitos, contextualizou o debate sobre a eletrificação e a descarbonização. Defendeu uma maior eletrificação da indústria e o papel das energias renováveis, num quadro de transformações geopolíticas e tecnológicas.
O responsável sublinhou que a cadeia de IA depende de matérias-primas, chips e infraestruturas digitais, com investimentos concentrados nos EUA e na China. Observou que o financiamento fraciona-se entre grandes empresas cotadas e capital de risco.
A bolha da IA e o custo da transição
A análise de Moita de Macedo apontou que as grandes tecnológicas impulsionam o crescimento no S&P500, mas é preciso identificar empresas que entregam resultados consistentes ao longo do tempo. Alertou para a distinção entre modismo e potencial de profit pools.
A geopolítica surge como fator decisivo para cadeias de abastecimento. A dependência do comércio internacional e o controlo de portos influenciam custos e riscos para as empresas. A produção local (nearshoring) é apresentada como alternativa ao offshoring, com impacto estruturante na inflação.
Sustentabilidade, inflação e setor empresarial
Cristina Brízido, da Caixa Gestão de Ativos, destacou que estagflação não está iminente, apesar de sinais inflacionários na zona euro terem chegado a 3,2%. Assinalou que choques de mercado podem ter impactos variados conforme o cenário geopolítico.
Bárbara Costa Pinto, da CGD, lembrou que a banca é central na transição para a sustentabilidade, apesar de avanços tecnológicos paralelos. Indicou que, segundo o Global Emissions Gap Report, as emissões globais continuam a crescer, mesmo com reduções na Europa. Eventos climáticos extremos pesam economicamente sobre Portugal.
Casos de prática empresarial e inovação
António Dinis, da Hovione, revelou que a empresa trabalha com grandes farmacêuticas globais e aplica rigidez nas políticas de sustentabilidade, incluindo eco-labeling. A Hovione também contribuiu para o desenvolvimento de produtos aprovados pelo FDA em 2025 e emprega cerca de 2.600 pessoas em quatro fábricas.
Catarina Vieira, da Rocim, enfatizou a sustentabilidade na viticultura, desde biodiversidade até uso de painéis solares. Acrescentou que o sucesso depende de pessoas certas e de uma cultura de bem-estar no local de trabalho, com uma equipa de 40 colaboradores no grupo Movicortes.
Perspetivas para o setor e cultura empresarial
O ciclo XXI de conversas contou ainda com a visão de um casal de personalidades da cultura e do setor vinícola. Gonçalo M. Tavares discutiu teatro com o ator Miguel Guilherme, que descreveu o esforço de manter a emoção num papel ao longo de sessões repetidas, enfatizando a necessidade de foco no que está a ser comunicado e treino técnico constante.
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