- Um estudo do IPAM estima que o Mundial de 2026 pode gerar até 945 milhões de euros em Portugal, o maior impacto já para uma competição não sediada no país.
- O impacto varia conforme a participação de Portugal: 378 milhões de euros se ficar pela fase de grupos, até 561 milhões de euros se alcançar os oitavos de final e 945 milhões se conquistar o título.
- A análise destaca que o consumo é impulsionado por decisões quotidianas de fãs, venda de camisolas, restaurantes, viagens e publicidade de marcas, bem como pela economia digital.
- A evolução do consumo de futebol, com streaming, redes sociais e conteúdos gerados por utilizadores, representa 23% do impacto económico total.
- A “marca” Cristiano Ronaldo é apontada como contributo decisivo, com peso de alto valor de marca, potencialmente influenciando retorno económico mesmo que chegue ao Mundial de 2030 sem competir.
O Mundial’2026 pode gerar até 945 milhões de euros em Portugal, num impacto considerado o maior já registado em competição que o país não organiza. A estimativa é do IPAM, com análise desde o estágio de qualificação até à final.
O estudo aponta uma participação portuguesa que contribuía com 378 milhões de euros se ficar pela fase de grupos, subindo para 561 milhões se chegar aos oitavos de final e atingindo 945 milhões apenas no cenário de conquista do título.
A equipa de investigação acrescenta que o consumo diário de jogos, em casa ou em restaurantes, aumenta as receitas por compras de produtos oficiais, subscrição de canais e publicidade. O IPAM realça ainda a importância das plataformas digitais.
Mudança na forma de consumir
A análise destaca a evolução do consumo desde 1966, com Eusébio, para o presente, com consumo em tempo real e multiplataformas. A nova forma de ver futebol tem impacto económico significativo em Portugal, segundo o IPAM.
A transição para streaming, redes sociais e conteúdos gerados por utilizadores representa uma fatia acumulada de 23% do impacto económico. A equipa de estudo indica que o online passa a ter peso relevante na receita total.
A transformação tecnológica desloca parte do impacto para fora do território, o que pode dificultar a retenção de receitas de futuras edições, incluindo o Mundial’2030, em que Portugal é um dos anfitriões.
Cristiano Ronaldo e o peso da marca
O estudo analisa também o efeito da marca Cristiano Ronaldo, cuja participação pode ter influência decisiva no side-bar económico, ainda que não esteja ligada apenas ao desempenho desportivo.
De acordo com o IPAM, Ronaldo é considerado um ativo de marca de peso superior ao restante plantel do país, o que pode influenciar a atratividade de patrocínios e de conteúdos digitais durante o torneio.
Para o analista, a presença do também jogador do Al Nassr pode manter relevância no Mundial’2030, mesmo que não jogue, conforme a vontade da Federação e do próprio jogador.
Perspetivas estratégicas e desafios
Com 48 seleções e 104 jogos, o Mundial’2026 é tido como uma oportunidade de expansão para o futebol em mercados onde a prática não está bem estabelecida. Contudo, há receios sobre a saturação do calendário.
O estudo menciona ainda a possibilidade de tecnologias como hologramas, realidade aumentada e inteligência artificial maximizarem o retorno económico. O foco pode ir além do turismo tradicional para além dos estágios.
A organização tripartida entre Estados Unidos, Canadá e México é apresentada como vantagem, devido à experiência e à capacidade comercial dos anfitriões. O IPAM antecipa maior profissionalização de eventos desportivos nos EUA.
Conclusões do estudo
Os autores consideram que o Mundial’2026 oferece condições únicas para o crescimento do futebol em Portugal, mas alertam para os riscos de saturação do mercado. O impacto dependerá de estratégias de promoção e utilização digital.
Entre na conversa da comunidade