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Interior exige investimento estruturado e políticas diferenciadas para inovação

Autarquias defendem investimento público dirigido e políticas diferenciadas para que a inovação do interior gere economia real e empregos qualificados

Os presidentes das câmaras de Bragança e Guimarães, Isabel Ferreira e Ricardo Araújo
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  • Conferência do Jornal de Notícias, na Alfândega do Porto, reuniu Isabel Ferreira e Ricardo Araújo para discutir investimento estruturado e políticas diferenciadas para o interior.
  • Isabel Ferreira afirma que ter investigação de qualidade não basta; é preciso acelerar a transferência de conhecimento para o tecido económico, com capital de risco, incubação tecnológica e apoio a startups, apontando a falta de investidores em Bragança.
  • A autarca critica a concentração de investimento público nos mesmos territórios e pede programas de financiamento dedicados a regiões emergentes do interior, destacando o potencial do setor agroalimentar.
  • Ricardo Araújo apresenta um modelo de inovação com quatro vetores (infraestrutura, conhecimento, transferência e indústria) e descreve um ecossistema já existente, desde o supercomputador do Campus de Azurém até uma fábrica de inteligência artificial, reconhecendo fragilidades.
  • O debate sublinha que a inovação nos territórios do interior não escala facilmente; Guimarães aposta num pacto de inovação envolvendo empresas, universidades e centros de investigação, e salienta a necessidade de habitação e qualidade de vida para atrair e reter talento.

A conferência do Jornal de Notícias, na Alfândega do Porto, discutiu a dificuldade de fixar talento e atrair investimento para os territórios do Interior. Isabel Ferreira e Ricardo Araújo defenderam políticas diferenciadas e financiamento dedicado para este eixo regional.

Os autarcas partilharam diagnósticos distintos, mas convergiram numa conclusão: sem investimento público direcionado, os ecossistemas de inovação do interior não geram economia real nem empregos qualificados. A transferência de conhecimento exige condições concretas.

Isabel Ferreira salientou que a investigação de qualidade sozinha não basta. Defendeu acelerar a aplicação prática do conhecimento, com capital de risco, incubação tecnológica e apoio a startups, apontando a ausência de investidores como principal entrave em Bragança.

Ela criticou a concentração de investimentos em polos já desenvolvidos, apelando a programas financeiros exclusivos para territórios emergentes do Interior. Destacou ainda o potencial do agroalimentar em Bragança, apoiado por centros de investigação e laboratórios colaborativos.

Modelo de inovação e pontos críticos

Ricardo Araújo apresentou um modelo baseado em quatro vetores: infraestrutura, conhecimento, transferência e indústria. Descreveu um ecossistema já começado, com iniciativas desde um supercomputador universitário até fábricas de IA, parques industriais temáticos e ciência médica.

O autarca reconheceu fragilidades, sobretudo o facto de centros locais trabalharem mais com entidades fora da região. Enfatizou o papel das autarquias na articulação entre empresas, universidades e centros de investigação, como prática de Guimarães.

Araújo acrescentou que atrair talento requer mais do que ofertas de emprego: é preciso habitação, oportunidades de carreira e qualidade de vida. O apoio institucional, sublinhou, também depende de uma visão comum e de políticas locais agarrem este objetivo.

O debate evidenciou que, apesar das diferenças entre Bragança e Guimarães, o desafio estrutural é o mesmo: gerar escala para a inovação produzida no Interior. As ideias surgem no território, mas o crescimento depende de recursos fora dele.

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