- O transporte rodoviário representa cerca de 80 por cento das mercadorias transportadas em terra na Europa e contribui com mais de 400 mil milhões de euros por ano para o PIB da União Europeia.
- O setor emprega mais de 3 milhões de motoristas; em 2024 havia 233 mil vagas por preencher, subindo para 444 mil em 2025, com projeções que podem atingir 745 mil.
- O custo dos combustíveis é o principal desafio, representando cerca de 30 por cento dos custos das empresas de transportes, num contexto de margens estreitas e necessidade de liquidez.
- A força de trabalho está a envelhecer, com cerca de 50 por cento dos camiões alemães com mais de 55 anos, tornando o modelo de trabalho de longo curso pouco atrativo.
- Soluções incluem planeamento de rotas via inteligência artificial para operar com menos recursos, melhoria da infraestrutura pública (parques de estacionamento seguros) e a ideia de caminhões sem condutor apenas para ligações entre centros de distribuição no futuro.
O transporte rodoviário europeu enfrenta custos elevados com combustíveis e uma forte escassez de motoristas. O CEO do Transport Exchange Group (TEG), Lyall Cresswell, afirma que ainda é possível aumentar a eficiência do setor, apesar dos desafios.
O setor representa cerca de 80% do transporte de mercadorias terrestre na Europa e contribui com aproximadamente 3,75% do PIB da UE27. O TEG coloca-se como elo entre mais de 10 000 empresas, planeando gerir cerca de 3 milhões de cargas este ano.
Os custos com combustível respondem por cerca de 30% dos gastos operacionais de uma empresa de transportes, explica Cresswell. O ambiente é marcada por margens reduzidas e por pagamentos antecipados do combustível, antes de receber a remuneração pelo serviço.
A indústria emprega mais de 3 milhões de pessoas apenas no transporte rodoviário, com mais 2,5 milhões de trabalhadores no apoio logístico. Em 2024, as vagas por preencher duplicaram para 426 000; em 2025 aceleraram para 444 000 e projeções apontam para até 745 000.
Analistas indicam que o envelhecimento da força de trabalho é um problema crítico. Metade dos motoristas alemães tem mais de 55 anos, refletindo uma tendência observada noutras regiões. Parte do desfasamento deve-se ao modelo tradicional, com longas ausências da base.
Como solução, Cresswell aponta a tecnologia como ferramenta para melhorar a eficiência. O planeamento de rotas com inteligência artificial pode permitir mais com menos recursos, ajudando a mitigar a escassez de condutores.
Em termos de infraestrutura, o CEO diz que faltam parques de estacionamento seguros e bem vigiados, o que dificulta atrair novos profissionais para o setor. A recuperação da atratividade da profissão passa por melhorias neste aspeto.
Sobre o futuro da mobilidade, Cresswell admite a possibilidade de camiões sem condutor em trajetos ponto a ponto entre centros de distribuição ao longo de autoestradas. No entanto, considera que a primeira e última milha demorarão mais a evoluir.
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