- A Comissão Europeia multou a Temu em 200 milhões de euros por falhas na deteção de produtos ilegais na sua plataforma de comércio electrónico.
- Bruxelas afirmou que a Temu falhou em identificar, analisar e avaliar de forma diligente os riscos sistémicos dos produtos ilegais, tornando provável que os consumidores da UE encontrem artigos ilegais.
- A avaliação de risco da Temu, de 2024, não cumpriu os requisitos do Regulamento dos Serviços Digitais, baseando-se em informações gerais em vez de provas específicas do serviço.
- Casos práticos mostraram que muitos brinquedos para bebés apresentavam riscos de segurança, com químicos acima dos limites legais ou risco de asfixia, além de o design da plataforma poder amplificar a disseminação de riscos.
- A Temu tem até 28 de agosto para apresentar um plano de ação à Comissão Europeia; a UE pode emitir opinião num mês e, posteriormente, tomar uma decisão final com um período de implementação, com possibilidade de multas periódicas se não cumprir.
A Comissão Europeia multou a Temu em 200 milhões de euros por falhas na identificação de produtos ilegais na sua plataforma de comércio eletrónico. A decisão, comunicada esta semana, baseia-se no Regulamento dos Serviços Digitais (RSD) e aponta que a Temu não conseguiu detectar de forma eficaz os listados ilegais na UE. O montante poderá implicar correções até 28 de Agosto.
Segundo a Comissão, a Temu falhou em identificar, analisar e avaliar adequadamente os riscos sistémicos dos produtos ilegais disponibilizados na plataforma e os danos potenciais aos consumidores da UE. As provas recolhidas indicam que é muito provável que os utilizadores encontrem artigos ilegais na plataforma.
Avaliação de risco e práticas da Temu
A autoridade europeia sublinha que a avaliação de risco realizada pela Temu, datada de 2024, não cumpre os requisitos do RSD. A Temu baseou-se em informação genérica sobre riscos setoriais, sem provas específicas relativas ao seu serviço. Além disso, o relatório subavalia a frequência com que os consumidores da UE devem encontrar produtos ilegais.
A investigação também revela que um teste de cliente mistério demonstrou existirem brinquedos para bebés com riscos de segurança, incluindo químicos acima dos limites legais e peças que revelam risco de asfixia. O design do serviço, incluindo sistemas de recomendação e campanhas com influenciadores, também não foi considerado na ampliação dos riscos.
Sanções, plano de correcção e prazos
A multa foi definida com base na gravidade, no número de consumidores impactados e na duração do incumprimento. A investigação iniciou-se em 2024, com conclusões preliminares em Julho de 2025. As respostas da Temu não satisfizeram a Comissão, levando à sanção.
A Temu tem até 28 de Agosto para apresentar um plano de ação com medidas para corrigir as falhas de avaliação de risco. A Comissão terá um mês para emitir uma opinião sobre o plano, seguido de mais um mês para decidir e definir um período de implementação.
Caso a Temu não cumpra as decisões, poderão ser aplicadas multas periódicas. A UE mantém a monitorização para assegurar que as correções sejam implementadas de forma eficaz.
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