- O plano da Comissão Europeia para fertilizantes visa ligar custos de energia à inflação dos alimentos na UE, buscando mitigar impactos da crise energética e de choques geopolíticos no setor agroalimentar.
- A volatilidade dos preços de fertilizantes é apresentada como depende de gás natural, com Bruxelas a dizer que a produção de fertilizantes azotados influencia diretamente as faturas do supermercado.
- Medidas previstas incluem reforçar a produção interna de fertilizantes, criar reservas, compras conjuntas e monitorização dos preços, bem como apoio financeiro de emergência aos agricultores que adotem práticas mais sustentáveis.
- Críticos, entre eles a Copa Cogeca, consideram o plano uma decepção e avisam que, sem financiamento concreto, a inflação alimentar pode subir; jovens agricultores pedem instrumentos e resultados tangíveis.
- A Comissão aponta ter 200 milhões de euros na reserva de crise e lê-se a intenção de duplicar esse montante, com fundos adicionais a serem mobilizados antes do verão para apoiar culturas da próxima época.
O plano da União Europeia para fertilizantes foi apresentado como parte de um pacote de apoio aos agricultores pressionados por custos energéticos e tensões geopolíticas. Bruxelas sustenta que a volatilidade dos mercados de fertilizantes se reflecte diretamente nos preços dos alimentos na UE. O objetivo é quebrar a ligação entre gás, escassez de fertilizantes e subida de custos no supermercado, travando a transmissão de choques externos para os consumidores.
Segundo a Comissão, a produção de fertilizantes depende fortemente do gás natural, o que torna o sistema alimentar europeu exposto a choques de combustíveis fósseis. A crise energética agravou os preços dos fertilizantes desde o início de 2026, com a guerra no Médio Oriente a intensificar a volatilidade. O rastreio dos custos de produção aponta ainda para efeitos de restrições comerciais e da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Um alto responsável da Comissão reforçou que a disponibilidade de alimentos não está em causa, embora já se tenham formado reservas de fertilizantes. As últimas previsões indicam inflação alimentar acima da meta de 2% até ao final de 2026, com o tipo de colheitas dependente do tempo e do clima. Espera-se que os preços dos alimentos se tornem mais sensíveis aos custos de fertilizantes nos próximos meses.
Reforçar a produção de fertilizantes na UE
A UE liga a escalada dos custos à dependência de combustíveis fósseis importados e de matérias-primas para fertilizantes. A produção depende do gás natural, que tem sido volátil devido aos conflitos internacionais. O comissário para a Agricultura, Christophe Hansen, sublinha a necessidade de produzir mais e depender menos de fornecedores externos.
A Comissão propõe mobilizar recursos do orçamento comunitário para apoiar os agricultores antes da próxima sementeira, incentivar a produção interna e explorar alternativas como nutrientes de base biológica e reciclados. Prevê também medidas de constituição de reservas, compras conjuntas e monitorização de preços mais restrita.
Ao abrigo do plano, os agricultores devem beneficiar de apoio financeiro de emergência e adiantamentos condicionados a práticas agrícolas mais sustentáveis, como reduzir fertilizantes sintéticos e investir em fertilizantes de base biológica.
Alívio financeiro para os agricultores
O comissário Hansen indicou que ainda existem 200 milhões de euros na reserva de crise do fundo agrícola e afirmou a intenção de a duplicar para apoiar os agricultores. Serão concedidos apoios excecionais específicos aos mais afetados, com mais fundos a ser mobilizados ao abrigo do orçamento da UE para reforçar a investigação agrícola.
O montante exato permanece em negociação entre o Parlamento Europeu e o Conselho, mas o objetivo é disponibilizar um instrumento financeiro concreto antes do verão, para orientar as decisões de semeadura da próxima época. O plano também visa facilitar o acesso a investimento público para o setor.
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