- A ONU reviu em baixa a previsão de crescimento global para 2,5% em 2026, face a 2,7% estimados em janeiro, com cenário mais adverso em 2,1%.
- A inflação global deve chegar a 3,9% este ano, impulsionada pela subida dos preços da energia após ataques no Médio Oriente e bloqueio do estreito de Ormuz.
- O aumento dos custos de energia afeta a produção industrial e o transporte, contribuindo para uma evolução inflacionista desigual entre países.
- A região de Ásia Ocidental é a mais afetada; a União Europeia deverá crescer 1,1% em 2026, enquanto o Reino Unido fica em 0,7%.
- Índia mantém perspetivas de crescimento elevadas (6,4% este ano), enquanto a China deverá crescer 4,6% com os amortecedores existentes e os EUA mantêm crescimento próximo de 2%.
O impacto da crise no Médio Oriente impõe pressões inflacionistas e eleva a incerteza sobre o crescimento mundial. As Nações Unidas revisaram em baixa as perspetivas para 2026, antevendo um cenário mais desafiante devido ao aumento dos preços da energia e aos conflitos regionais.
Segundo o relatório World Economic Situation and Prospects, o PIB global está estimado em crescimento de 2,5% em 2026, abaixo dos 2,7% previstos em janeiro. O cenário pode piorar para 2,1% em condições mais adversas, sem contudo indicar recessão imediata.
A inflação mundial deve subir para 3,9% neste ano, com variações entre economias. O aumento dos preços da energia e de produtos refinados é apontado como principal motor da pressão inflacionista, afetando produção industrial e transporte.
Contexto regional e impactos diretos
Entre os dois blocos, as consequências variam conforme exposição a custos energéticos. Economias desenvolvidas deverão ver inflação a subir de 2,6% para 2,9%, enquanto emergentes devem acelerar de 4,2% para 5,2%, devido a custos de energia e bens importados.
O Médio Oriente é a área mais afetada pela crise, com danos indiretos em infraestrutura, produção de petróleo, comércio e turismo. O crescimento regional deve cair de 3,6% em 2025 para 1,4% em 2026, refletindo o choque energético e perturbações económicas.
Em África, o crescimento deve manter-se próximo de 3,9%, apesar de pressões regionais. Na América Latina e Caraíbas prevê-se uma desaceleração para 2,3%. A Europa continua mais exposta a choques energéticos, com o Reino Unido e a UE a perderem dinamismo.
Perspetivas por grandes blocos
Os Estados Unidos mantêm um desempenho relativamente estável, com crescimento esperado de 2% em 2026. Na Ásia, a China beneficia da diversificação energética e de reservas estratégicas, esperando-se queda de 5% para 4,6%.
A Índia mantém dinamismo, com expansão estimada de 6,4% em 2026, após 7,5% em 2025. Economistas da ONU salientam que a duração do conflito e a intensidade de seus efeitos limitam os amortecedores económicos globais.
O que isto significa
O relatório frisa que o aumento de custos energéticos é o fator-chave para a incerteza, afetando rendimentos reais e consumo. A ONU chama atenção para dificuldades crescentes para várias economias, sem indicar uma recessão imediata.
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