- Um relatório da American Hotel & Lodging Association indica que a procura pelo Mundial de Futebol de 2026 nos Estados Unidos não se traduziu em reservas de hotel robustas, com viajantes domésticos a superar os internacionais.
- O estudo, baseado em 11 cidades anfitriãs, revela que 80% dos hoteleiros dizem estar com reservas abaixo das projeções iniciais, devido a cancelamentos de blocos da FIFA, custos mais elevados e vistos.
- A maior parte das cidades norte‑americanas mostra desempenho abaixo do esperado, especialmente Kansas City, Boston, Filadélfia, São Francisco e Seattle; apenas Miami e Atlanta apresentam ganhos superiores.
- As grandes portas de entrada, como Nova Iorque e Los Angeles, ficam entre o desempenho fraco e o alinhamento com a procura de verão, sem evidenciar um impulso significativo.
- O presidente da AHLA alerta para a necessidade de uma experiência acolhedora aos viajantes internacionais, evitando subidas de custos e complicações que dissuadam visitas, com impacto desigual entre os mercados.
A AHLA alertou que a procura esperada para o Mundial de Futebol 2026 nos EUA pode não traduzir-se em reservas de hotel robustas. Os viajantes domésticos estão a superar os visitantes internacionais, com cancelamentos de blocos oficiais a pesar na procura.
O relatório FIFA World Cup 2026 Hotel Outlook baseia-se em inquéritos a hoteleiros de 11 cidades anfitriãs. 80% dos entrevistados indicam reservas abaixo das projeções iniciais, enquanto a ocupação de verão continua estável para turistas nacionais.
Vistas gerais apontam fatores centrais para o arrefecimento: cancelamentos de blocos FIFA, restrições de vistos, elevação de custos e questões geopolíticas. O impacto é desigual entre as cidades.
Desafios que pesam
Entre 65% e 70% dos hoteleiros destacam vistos e incertezas políticas como travões à procura internacional. O torneio depende muito de viagens transfronteiras, sobretudo desde a Europa e América Latina, agravando o desafio logístico.
O relatório descreve ainda um “sinal artificial” de procura antecipada, criado pelos blocos de quartos reservados para a FIFA. Com devoluções significativas, as casas mudaram previsões para baixo.
Situação por cidade
Em Kansas City, 85% a 90% dos hotéis estão abaixo das expectativas, com procura abaixo de um verão normal. Boston, Filadélfia, São Francisco e Seattle mostram sinais fracos, com o Mundial ainda próximo de um não evento.
Miami e Atlanta destacam-se, superando as metas graças ao turismo forte, melhor conectividade aérea e presencia de seleções. Estes destinos representam cerca de 25% a 30% dos inquéritos.
Nova Iorque e Los Angeles situam-se no meio termo: reservas fracas, mas ainda dentro da procura típica de verão. Dallas e Houston apresentam cenário semelhante, com 70% dos hotéis abaixo das projeções, mantendo ocupação estável.
Perspetivas e custos
A presidente da AHLA, Rosanna Maietta, afirma que existe oportunidade, desde que a experiência internacional seja estável e acolhedora. Evitar aumentos de vistos e de transporte é essencial, assim como evitar impostos surpresa perto dos jogos.
Olhando para o conjunto norte-americano, a procura global pelo Mundial aumenta, mas a conversão em viagens efetivas é desigual. A conectividade aérea e a atração de mercados menores poderão compensar parcialmente.
Perspetivas económicas
Estimativas apontam que a despesa direta pode atingir cerca de 4,3 mil milhões de dólares, com hotelaria e restauração a responder por grande parte do valor. Economistas calculam ganhos marginais e de curta duração, com substituição de viagens já planeadas.
A ovação de resultados fica dependente de políticas de vistos mais estáveis, de custos previsíveis para turistas internacionais e de uma gestão eficiente por parte de entidades públicas e organizadoras do torneio.
Entre na conversa da comunidade