- A Reserva Federal manteve as taxas de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% após uma votação de oito votos a favor e quatro contra.
- Foi a reunião mais dividida desde 1992, com divergências sobre o caminho da política monetária sob a liderança de Jerome Powell.
- Um voto contra veio de Stephen Miran, defendendo um corte de 0,25 ponto percentual; outros três contrários argumentaram que a inflação não sinalizava cortes imminentes.
- O comunicado passou a afirmar que a inflação está elevada, parcialmente devido ao aumento dos preços globais de energia, alterando a descrição anterior.
- Mantém-se a indicação de a Fed avaliar “ajustes adicionais” às taxas no futuro, sinalizando continuidade de decisões coletivas mesmo com mudanças de liderança.
- Powell deverá deixar a presidência no futuro próximo, com Kevin Warsh indicado para substituí-lo, e a confirmação depende do Senado; Powell afirmou que permanecerá como governador após o mandato.
Na decisão desta quarta-feira, a Reserva Federal dos EUA manteve as taxas de juro no intervalo entre 3,5% e 3,75%, recusando baixar o custo do dinheiro. A votação foi a mais dividida desde 1992, com oito votos a favor e quatro contra. O Comité de Política Monetária, sob a liderança de Jerome Powell, não cedeu às insistentes pressões de Donald Trump para cortes rápidos.
A decisão surge numa fase em que a Fed reconhece inflação elevada, em parte devido à subida de preços globais da energia. Apesar disso, o documento divulgado pelo banco central não exclui novos ajustes nas taxas no futuro, sinalizando possibilidades de mudanças adicionais.
Powell encerra, com esta reunião, o seu último mandato como presidente da Fed. A conferência de imprensa confirmou que, após deixar a liderança, Powell pretende manter-se como governador do banco central.
Warsh a caminho
Poucas horas antes do fim da reunião, o Senado aprovou, por 13 votos a favor e 11 contra, a nomeação de Kevin Warsh para liderar a Fed, posição defendida por Trump. O próximo passo é um voto no conjunto dos senadores, com perspetiva de confirmação favorável pela maioria republicana.
O presidente em funções, Donald Trump, tem criticado publicamente a forma como a Fed tem conduzido a política monetária, defendendo cortes mais agressivos mesmo perante a inflação. A nomeação de Warsh não garante, contudo, que as decisões passem a ser instantaneamente mais alinhadas com esse objetivo.
Em substituição de Powell, Warsh poderá assumir a liderança da instituição, mas as decisões continuam a depender do consenso entre os membros nomeados por Trump e os restantes governadores. A mudança pode acelerar ou atrasar o ritmo de eventuais cortes, conforme o alinhamento entre os membros.
Perspetivas
A Fed indicou a possibilidade de ajustes adicionais às taxas, o que mantém expectativas abertas sobre o caminho da política monetária norte-americana. O timing de eventuais cortes depende da evolução da inflação e de condições macroeconómicas, num cenário de elevada divergência entre os membros.
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